É o caso da agricultora Marília Ternes, que trabalha com produção de silagem e confinamento de gado para o abate ao lado do pai, da mãe, do esposo e dos filhos. A propriedade da família já está na quarta geração. Durante a enchente, eles perderam cerca de 500 cabeças de gado, além de máquinas agrícolas e móveis. Nos últimos meses, conseguiram recuperar parte do prejuízo.
“A gente continuou trabalhando. Teve muita gente que nos ajudou. É o recomeço de uma estrada longa que a gente vem percorrendo”, conta Marília.
A enchente de 2024 não foi a primeira. Em 2000, a água atingiu 50 centímetros de altura dentro da casa em que a família vivia. Foi quando decidiram construir uma nova residência no mesmo terreno, dois metros acima da anterior. Ainda assim, não foi o suficiente para a cheia de 2024.
“Era uma cena de guerra. Lodo, gado morto, tudo espalhado”, lembra a matriarca Goreti Ternes, de 61 anos.
A família cansou de conviver com o medo de uma nova cheia e decidiu se mudar. Por meio de um financiamento bancário, compraram uma nova propriedade de sete hectares em uma região mais alta do município, a cerca de 16 quilômetros do leito do rio.
“Parece que o lugar foi feito pra nós. Eu não vejo a hora de ir para lá”, conta o pai da família, José Ternes.
A expectativa é de que a mudança ocorra até o fim do ano. Para Marília, não há outro caminho senão seguir em frente: “a gente só quer trabalhar e pagar as contas. Desistir nunca foi uma opção”.