Embora algumas propriedades tenham resistido fisicamente às tragédias, todas estão localizadas em áreas de risco, como zonas de deslizamento ou locais onde a água pode voltar a subir. Para evitar que moradores retornem a pontos perigosos e prevenir novas tragédias, prefeituras estão demolindo imóveis condenados, limpando terrenos e transformando esses espaços em áreas seguras.
Confira a situação nas cidades:
Em Estrela, nove casas localizadas em áreas de risco já foram ao chão. As famílias receberam novas moradias por meio do programa Compra Assistida, e a prefeitura continua negociando a saída segura de quem ainda permanece em locais considerados perigosos. Mais de 40 imóveis já passaram oficialmente para o município, deixando de pertencer aos antigos donos e passando a ser propriedade do Executivo.
Em Colinas, as equipes da Defesa Civil concentram o trabalho na remoção pesada de entulhos e na derrubada dos imóveis desapropriados.
Na Vila Mariante, distrito de Venâncio Aires, a realidade é parecida: cerca de 90 imóveis foram condenados. Com R$ 5 milhões repassados pelo governo estadual, o trabalho de retirada de entulho também está em andamento.
Em Lajeado, quatro casas começaram a ser demolidas. A prefeitura identificou sete áreas atingidas pela força do Rio Taquari e iniciou o processo para evitar que essas regiões voltem a ser ocupadas.
Demolição de casa em Lajeado, no Vale do Taquari — Foto: Reprodução/ RBS TV
Já em Muçum, imóveis localizados em região de arraste e pertencentes a famílias já reassentadas começaram a ser demolidos. Vinte casas foram destruídas até a publicação desta reportagem.
“Vivi aqui por 32 anos, criei meus filhos, criei o meu neto. Então, é um sentimento que tu não vai esquecer mais”, comenta a moradora Inês Rodrigues.
O local onde Inês viveu será transformado em área de lazer e convivência. Hoje, ela mora no novo bairro Jardim Cidade Alta 2, construído em parceria entre governos e empresas. A mudança foi menos dolorosa porque os antigos vizinhos foram realocados juntos.
“Foi o que eu pedi: que me botasse perto dos meus vizinhos. A gente está tudo na mesma rua, só trocamos o bairro”, conta.
Casa destruída pela enchente no Vale do Taquari — Foto: Reprodução/ RBS TV
Famílias esperam respostas
Na Rua Cândido Godói, apenas duas moradias resistiram às três enchentes de 2023 e 2024. A dona de casa Simone Cardoso perdeu três imóveis: dois que alugava e onde morava. Ela não foi enquadrada nas regras do programa por ter renda mensal acima do limite e precisou financiar um novo imóvel por conta própria.
““As respostas que temos recebido não são nada agradáveis, porque temos muita dívida para pagar. A gente só queria, daqui para frente, pelo menos ter uma vida digna, dar continuidade a tudo que tínhamos antes. A gente morava bem”, explica Simone.
O governo do Estado informou que estuda possibilidades de indenização para casos como o de Simone. Também estão em andamento análises para redefinir planos diretores e reorganizar áreas de arraste.
Casas atingidas pela enchente sendo demolidas no Vale do Taquari — Foto: Reprodução/ RBS TV