Em investigação concluída em fevereiro, Deise foi apontada como autora de quatro homicídios triplamente qualificados, por motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação. Presa temporariamente em janeiro, ela foi encontrada morta na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. (Relembre o caso abaixo)
Agora, em dezembro de 2025, um ano após as mortes, a polícia concluiu a investigação sobre a origem do arsênio utilizado nos crimes. A apuração revelou que a compra foi feita por meio de dois sites distintos, mas ambos pertencentes à mesma empresa, registrada no Rio de Janeiro.
A Delegacia do Consumidor (Decon) identificou o responsável pela venda, mas reforçou que, apesar do risco à saúde, não há previsão penal para esse tipo de negociação.
Segundo a polícia, a comercialização do produto não é considerada ilegal atualmente, já que não existe regulamentação específica que proíba a venda para pessoas físicas.
“Tal venda não é proibida e ainda está pendente de regulamentações”, explica a delegada Milena Simioli.
Bolo envenenado com arsênio está recolhido no IGP — Foto: Divulgação/IGP
Contudo, a polícia reconhece que podem existir infrações de caráter administrativo, mas ressalta que a fiscalização dessas substâncias é responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia se houve descumprimento das normas sanitárias e de segurança na comercialização do produto.
O g1 entrou em contato com a Anvisa, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
A delegada Milena ainda comenta que dois projetos tramitam na Câmara dos Deputados para tentar corrigir essa brecha, sendo: PL 985/2025 e PL 1381/2025. As propostas pretendem proibir a venda de compostos arsenicais a pessoas físicas e exigir justificativa técnica para uso, além de reforçar mecanismos de identificação do comprador.
🔎 O PL 1381/2025 está parado na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, aguardando novo relator após devolução sem parecer. Já o PL 985/2025 segue na Comissão de Saúde, com parecer favorável e substitutivo apresentado, mas ainda não votado, após apensação do PL 2771/2025.
Relembre o caso

Episódio 1: O Caso do Bolo Envenenado
De acordo com a Polícia Civil, sete pessoas da mesma família estavam reunidas em uma casa, durante um café da tarde, quando começaram a passar mal após comer fatias do bolo. Zeli dos Anjos, que preparou o doce em Arroio do Sal e levou para Torres, também foi hospitalizada. Ela era irmã de Maida e Neuza, sogra de Deise e alvo do envenenamento, segundo a Polícia Civil.

Polícia do RS conclui investigação sobre caso do bolo envenenado
A polícia descartou motivação financeira para os crimes que teriam sido cometidos por Deise. A principal hipótese é “perturbação mental”.
De acordo com o Ministério Público do RS, em casos como o de Deise Moura dos Anjos, que morreu enquanto era investigada, “o processo é extinto pela morte do agente quando a punibilidade do réu é extinta, o que acontece de acordo com o artigo 107, inciso I, do Código Penal”.