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“Levantei ela pelo pescoço e joguei contra o roupeiro, até a porta saiu do lugar”, contou o réu. “Não sei se fez muita força, e ela foi desfalecendo. Eu grudei ela no colo e fui em direção ao carro, peguei o telefone que estava na guarda do sofá e botei ela no carro”, disse.
Depois, Alexsandro contou que teria saído com o veículo. No entanto, quando percebeu que Débora estava morta, levou o corpo para a frente da casa dos pais dela, enrolado em um cobertor.
“Eu estava com a mão nela, assim, e não senti mais o pulso. Na faixa vindo para o Montenegro, eu parei o carro e botei a minha boca na dela e não senti a respiração. Aí eu vi que tinha perdido ela”, relatou.
Durante interrogatório, o réu explicou o que teria acontecido, segundo a versão dele, no dia 26 de janeiro de 2024. Ao longo da fala, Alexsandro admitiu que havia usado cocaína no dia do crime.
Ao finalizar a fala, após o interrogatório, Alexsandro pediu perdão para a família de Débora.
“Foi sem querer, eu juro que foi sem querer. Querendo ou não, eles (a família de Débora) vão fazer parte da minha história para o resto da vida. Eu sempre amei ela, amo ela e sempre vou amar”, disse.
Na sequência do julgamento, o Ministério Público e defesa devem fazer os embates. Depois, os jurados – cinco mulheres e dois homens – se reúnem para a decisão.
Depoimentos de familiares
Caso Débora: irmão, mãe e pai da vítima são ouvidos no júri — Foto: Reprodução/TJRS
Três pessoas foram ouvidas pela parte da manhã. O primeiro a falar foi Alex Rodrigo Michels, irmão da vítima.
Na condição de testemunha de acusação, o familiar sustentou que a mãe deles chegou a comentar que Débora tinha intenção de se separar do réu. O relato, conforme o depoimento, teria ocorrido na semana do crime.
Em seguida, a mãe da personal trainer, Rosane Maria Michels da Silva, foi ouvida como informante.
O terceiro a ser ouvido foi o pai de Débora. Davi Rodrigues da Silva falou que dias antes do ocorrido a filha pediu apoio para se mudar da casa que morava com o ex. Na ocasião, a vítima teria relatado que se sentia vigiada pelo então companheiro. O fato até então era desconhecido pela família.
Os trabalhos foram suspensos por volta de 13h40. Durante a tarde, estão previstos os depoimentos das testemunhas da defesa do réu, o interrogatório do réu e os debates entre as partes. No final do julgamento, o Conselho de Sentença decidiria se Gunsch será condenado ou absolvido.
A acusação
Gunsch é acusado de homicídio qualificado por feminicídio (cometido contra mulher em contexto de violência doméstica e familiar), motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP), o réu teria cometido o crime de forma premeditada. A motivação seria “a irresignação com o término do relacionamento”.
Relembre o caso
Conforme o MP, Gunsch cometeu o crime na residência do casal, por volta das 3h do dia 26 de janeiro, de forma premeditada, por esganadura, ao levantar Débora do chão até que ela desfalecesse.
Logo depois, Gunsch teria abandonado o corpo em frente à casa dos pais de Débora, enrolada em um cobertor. A certidão de óbito atestou que a causa da morte foi asfixia mecânica.
O homem foi preso preventivamente dois dias após o crime. À polícia, ele teria confessado, dizendo que os dois começaram a discutir em casa, mas que a discussão acabou virando uma briga com mútuas agressões.
Segundo a investigação, Gunsch contou ter jogado a companheira contra um móvel. Ela teria perdido a consciência. Na sequência, ele teria levado a mulher para receber atendimento médico, mas, ao perceber que estava sem sinais vitais, teria decidido deixá-la numa calçada, em frente à casa dos pais dela.

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