Três centros foram criados em julho do ano passado pelo governo do estado, em conjunto com as prefeituras e a Fecomércio, sob coordenação a Agência da ONU para Migrações. As estruturas foram projetadas em conjunto com as prefeituras e empresas que fizeram doações de maquinários, brinquedos e outros itens para dar mais conforto aos acolhidos.
Em dezembro, o CHA Recomeço, em Canoas, encerrou suas atividades. Já o CHA Esperança, em Canoas, que chegou a receber 850 pessoas, deve ser o último a ser desativado, na semana que vem, conforme previsão da prefeitura. O local abriga menos de 50 pessoas atualmente. No próximo sábado (24), deve fechar as portas o CHA Vida, em Porto Alegre, onde ainda estão 100 pessoas.
A dona de casa Maria Elmira Vidal de Negreiros, de 56 anos, é uma das moradoras que conseguiu sair do Centro, encaminhada para uma casa temporária em Canoas.
“É muita emoção. Entrei no portão com o pé direito. Já entrei, levantou a mão pro céu agradecendo a Deus que a gente ia ter um lar”, diz.
Maria Elmira Vidal de Negreiros, de 56 anos — Foto: Reprodução/ RBS TV
As casas temporárias são feitas de aço e concreto. O governo gaúcho investiu R$ 83,3 milhões na compra das 625 estruturas que são chamadas de módulos habitacionais transportáveis e poderão ser usadas em outros atendimentos emergenciais de habitação.
O Secretário Estadual de Habitação e Regularização Fundiária, Carlos Gomes, diz que a transferência “devolve a dignidade para as famílias”.
“A velocidade da resposta do governo pelas amarras a uma catástrofe jamais será na velocidade da destruição da enchente. Mesmo assim, o estado foi ágil, pensou, projetou e está individualizando o acolhimento dentro dos módulos habitacionais”, comenta Gomes.
A montagem das 58 casas criou um condomínio formado pelas famílias que só compartilharam histórias de perdas no último ano, em Canoas. Agora, elas comemoram as pequenas conquistas.
“É provisório, mas é com a família né? Um cantinho muito especial”, relata Maria Elmira, enquanto via a chegada de mais um caminhão.
A transferência para as moradias definitivas ainda não tem data prevista. Antonio Muniz, que durante a enchente fugiu do bairro Mathias Velho com água pelo pescoço, já vê uma luz no fim do túnel.
“Aos poucos, vamos nos arrumando, nos ajeitando. Com fé em Deus a gente vai esquecer a tristeza que passou. Agora é só a alegria, né?”, diz Muniz.
Centro Humanitário de Acolhimento “Vida”, em Porto Alegre, ainda tem 100 moradores, que devem sair do local ainda em maio — Foto: Reprodução/RBS TV