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Isac teve a morte cerebral confirmada e, segundo o Colégio Notarial do Brasil, o registro prévio realizado por ele foi apontado pelos familiares como determinante para seguir adiante com a doação.
A esposa dele, Clarissa, acompanhou o marido quando o casal decidiu oficializar a medida.
O ciclista fazia parte de um grupo de 336 moradores de Três Coroas que, desde 2023, procuraram o Cartório de Notas para declarar a intenção de doar órgãos.
Isac Emanuel Ribeiro da Silva, de 35 anos, morreu nesta terça-feira (24), após atropelamento em Três Coroas (RS) — Foto: Reprodução e Jeferson Ageitos/RBS TV
Sistema digital agiliza registro
O documento, chamado de Escritura Pública Declaratória de Doação de Órgãos, pode ser feito presencialmente ou de forma online.
Desde abril de 2024, qualquer cidadão pode registrar de graça e de forma totalmente digital o desejo de ser doador. A ferramenta, chamada Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), foi criada pelo Colégio Notarial do Brasil em parceria com o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério da Saúde. No Rio Grande do Sul, 1.676 pessoas já utilizaram o serviço.
A formalização em cartório para quem deseja doar órgãos começou de forma pioneira no estado em 2022. A iniciativa oferece ao cidadão uma forma oficial, gratuita e acessível de declarar a própria vontade.
Como funciona
- O interessado acessa o site;
- Emite gratuitamente um Certificado Digital Notarizado;
- Participa de uma videoconferência com um tabelião;
- Assina eletronicamente a autorização, indicando quais órgãos pretende doar.
A informação fica registrada na Central Nacional de Doadores de Órgãos e pode ser consultada por profissionais habilitados do Sistema Nacional de Transplantes. A autorização também pode ser cancelada a qualquer momento.
Fernanda Mikaella da Silva Barros, Clarissa Felipetti e Isac Emanuel Ribeiro da Silva — Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal
Investigação do acidente
O motorista do carro envolvido no acidente foi indiciado por triplo homicídio triplamente qualificado por ter sido cometido com meio cruel. O homem, identificado como José Carlos Almeida Bessa, foi preso preventivamente após fugir sem prestar socorro e ser encontrado em casa após deixar a placa do veículo no local do acidente.
Ainda há os agravantes de impossibilidade de defesa das vítimas e geração de risco comum — o motorista teve dolo eventual, ou seja, quando assume risco de matar, conforme o delegado.
O homem investigado responderá, também, por crimes de trânsito de embriaguez ao volante e condução de veículo automotor sem carteira de habilitação, gerando risco de dano.
Procurada, a defesa de Bessa informou que não teve acesso ao inquérito e não irá se manifestar.
Isac foi velado em Três Coroas
“O Isac era surreal. Um amigo extremamente divertido. Ele era sempre alegre, não tinha pessoa triste do lado dele”, define Cleria Diel, policial penal e amiga do ciclista.
Isac era corretor de imóveis e sócio de uma imobiliária em Três Coroas. A empresa publicou uma nota de pesar lamentando o falecimento.
“Isac foi um homem íntegro e generoso, pai exemplar, esposo dedicado e amigo leal. Sua partida deixa um vazio imenso em todos nós”, diz a postagem.
A Associação Igrejinhense de Ciclismo também lamentou a morte, destacando a paixão de Isac pelo ciclismo.
“A bicicleta não era apenas um meio de transporte para Isac — era sua paixão, seu refúgio, sua alegria. Pedalar era o esporte que ele mais amava, o momento em que se sentia livre, conectado com a vida e com a natureza”, diz.
Corpo de 3º ciclista vítima de atropelamento é velado no RS — Foto: Reprodução/RBS TV
As outras vítimas
Clarissa Felipetti era mais conhecida como Sissa. Formada em Educação Física e Publicidade e Propaganda, ela já havia trabalhado como assessora de imprensa na Prefeitura de Três Coroas e, atualmente, atuava como fotógrafa e no setor de marketing de uma empresa. Ela tinha dois filhos com Isac.
Clarissa Felipetti e Fernanda Mikaella da Silva Barros — Foto: Arquivo pessoal
Fernanda Mikaella da Silva Barros era natural de Minas Gerais e trabalhava em uma empresa calçadista da região. Em nota, a companhia lamentou a perda.
“Fernanda não era apenas uma profissional dedicada e comprometida, ela era verdadeiramente parte da nossa família. Com seu jeito doce, seu sorriso sempre presente e sua disposição em ajudar, marcou a vida de todos”, diz o comunicado.
O acidente

Ciclistas atropelados e mortos no RS costumavam andar de bicicleta 2 vezes por semana
O caso é investigado pela Polícia Civil como triplo homicídio doloso no trânsito. Uma testemunha ouvida pelos agentes disse que viu o motorista deixando uma casa noturna e conduzindo o carro em zigue-zague.
Com base nessas informações e com o auxílio do sistema de cercamento eletrônico, que acusou as passagens do veículo, a Brigada Militar (BM) localizou o motorista. Ele foi preso na casa dele, em Três Coroas. O teste do bafômetro confirmou que o motorista estava alcoolizado.
A defesa de José Carlos disse que está comprometida em assegurar que os fatos “sejam apurados de forma justa, técnica e dentro dos limites da lei” e informou que está colaborando com as investigações.
Infográfico: acidente ocorreu em Três Coroas, motorista fugiu mas foi localizado — Foto: Arte/g1