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“Uma amiga conduziu ela até a delegacia para fazer o registro, uma medida protetiva, e na hora ela desistiu”, diz Zucatti. “Chegaram até a frente da delegacia, mas a Silvana recusou-se a descer e a realizar o B.O”.
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil
Segundo a advogada Zucatti, Silvana havia relatado a familiares que temia o comportamento do ex-companheiro:
“A Silvana mandou áudio para a própria prima, onde ela [dizia] se sentir ameaçada pelo, então, suspeito”.
Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém “efetiva colaboração com as autoridades” e que “irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus”. Leia abaixo a íntegra
Buscas
Cães farejadores são usados em buscas a família desaparecida em Cachoeirinha — Foto: Reprodução/RBS TV
O casal era dono do Mercado Aguiar, na Vila Anair, em Cachoeirinha. A filha era revendedora de cosméticos mas também trabalhava com os pais.
Em entrevista à RBS TV, o delegado Anderson Spier, responsável pela investigação, explica que o inquérito está na reta final e será concluído em seguida. A polícia deve pedir nas próximas semanas a prisão preventiva do homem.
“Temos uma quantidade grande de elementos, de indícios, que apontam para a prática do crime pelo suspeito. Já conseguimos realizar uma cronologia dos acontecimentos do dia 24 e do dia 25”, comenta Spier.
Spier destaca que o álibi de Cristiano foi descartado. Ele havia declarado que tinha jantado com um amigo na noite em que Silvana desapareceu. O suspeito alegou que eles teriam jogado videogame.
“Nós conseguimos provar que ele não esteve nos locais onde ele afirma que esteve. E além disso, ainda tem outras questões com relação a precisão de horários em que ele não conseguiu comprovar onde estava no momento”, diz o delegado.
Além disso, Cristiano estava com o celular da Silvana nos dias posteriores ao desaparecimento. Inclusive, levou o aparelho para o serviço, em Canoas.
Motivação
O crime teria sido motivado por desavenças na criação do filho entre Silvana e o ex. A mulher procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares.
“A gente tem já na investigação formalizado que a motivação ela passa ali pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho.”
O delegado afirma que a mãe estaria planejando pedir entrar com um proceso judicial contra o pai. “Existem informações que também dão conta que ela iria procurar um advogado para tratar questões atinentes à guarda e outros elementos. Então a gente acha que isso pode ter sido o fator, o gatilho, que desencadeou a ação dele.”
Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar tinha muitos bens. “Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que no caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto.” A polícia ainda aguarda a quebra de sigilo bancário para ver se eles possuíam aplicações ou seguros.
Relembre o caso

Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)
O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
O fim de semana dos desaparecimentos
- 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
– 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
– 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
– 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. - 25 de janeiro (domingo):
– Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
– Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
– Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
- 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
- 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
- 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
- 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
- 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
- 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
- 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.
- 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias.
- 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores.
- 24 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses.
Nota da defesa do PM preso
“A defesa de Cristiano diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades.
Por fim, irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus.”
Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/g1