quinta-feira, abril 16, 2026
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Desaparecimento de família no RS chega a 50 dias: afinal, o que impede o avanço da investigação?

por admin
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Cinquenta dias após o sumiço de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, a investigação segue sem desfecho. Relembre o caso abaixo.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, mas ainda enfrenta uma série de barreiras que impedem o avanço do caso, mesmo com um único suspeito. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.

Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém “efetiva colaboração com as autoridades” e que “irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus“. Leia abaixo a íntegra.

Mesmo com um suspeito preso e diversas frentes de investigação em andamento, o caso avança lentamente por depender de laudos, dados sigilosos, buscas extensas e um volume grande de análise técnica.

1. Falta dos corpos

Sem localizar a família, os investigadores não conseguem:

  • Determinar oficialmente a causa das mortes;
  • Identificar como os crimes teriam ocorrido;
  • Confirmar se houve participação de outras pessoas.

A ocultação dos corpos, que faz parte da principal linha investigativa, impede que os peritos estabeleçam a dinâmica do caso com precisão.

2. Suspeito em silêncio e acesso a provas

Além disso, ele e a atual companheira não forneceram as senhas dos celulares, o que dificultou com que os agentes acessassem conversas, dados de localização e fotos ou registros que possam indicar deslocamentos na noite do desaparecimento.

3. Veículo visto em câmeras

A checagem individual desses automóveis é demorada e consome parte da força de trabalho da investigação.

4. Laudos do IGP

A polícia aguarda análises complexas do Instituto-Geral de Perícias sobre:

  • sangue humano;
  • material genético;
  • e vestígios coletados na casa da família.

O IGP informou que não há prazo para entrega dos resultados.

Com isso, partes da investigação seguem paralisadas à espera de confirmação.

5. Possível ocultação de provas

Investigadores descobriram que parentes de Cristiano compraram novos celulares após a prisão do policial.

O objetivo agora é localizar os aparelhos antigos e entender se houve troca de mensagens entre familiares e se alguém pode ter ajudado na eliminação de provas ou até na ocultação dos corpos.

Essa linha de investigação amplia o escopo do caso e exige análise sobre possível participação de terceiros.

6. Informações financeiras

Para o delegado Anderson Spier, esses informes são essenciais para avaliar se uma motivação financeira pode ter influenciado o crime.

7. Falhas ou manipulação nas câmeras

A polícia aguarda um laudo técnico do fabricante para descobrir se os arquivos foram enviados à nuvem, há cópias de segurança ou se é possível recuperar parte do conteúdo.

Esses vídeos podem ser decisivos para identificar quem dirigia o carro vermelho ou o que ocorreu dentro da casa na noite de 24 de janeiro.

Relembre o caso

Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)

Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)

O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação

Um mês do desaparecimento

  • 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês.
  • 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
  • 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.

Nota da defesa do PM preso

“A defesa de Cristiano diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades.

Por fim, irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus.”

Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/g1

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