A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar suposta injúria racial cometida pelo diretor de esportes da prefeitura de Sentinela do Sul, cidade distante cerca de 100 km de Porto Alegre, contra um socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
“Ele (o diretor) teria dito que não queria ser atendido por um negro, mas sim por um branco”, conta o delegado Luciano Rodrigues, responsável pela investigação.
Segundo a Polícia Civil, o alvo era um motoboy, que foi morto, e um dos tiros atravessou um portão do ginásio e atingiu Stein, que estava dentro do local, pelas costas.
Segundo testemunhas, quando o Samu chegou para prestar o atendimento, o diretor teria recusado atendimento porque o socorrista era negro.
O diretor foi socorrido, levado a um hospital da cidade e, depois, transferido para Porto Alegre, onde passou por cirurgia e tratamento.

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“Várias testemunhas teriam presenciado a situação. Socorrista não quis registrar ocorrência por medo de represália. No entanto, conforme previsto na legislação, devido à repercussão do caso, a polícia instaurou inquérito. Na segunda (24), serão chamados para prestar depoimento”, disse o delegado Rodrigues.
Segundo o delegado, há cerca de três anos, o mesmo diretor já teria sido investigado por injúria racial supostamente praticada contra uma servidora da prefeitura. Na época, ele não foi indiciado devido à falta de provas. Agora, caso o diretor seja responsabilizado, deve ser indiciado por injúria racial.
O g1 entrou em contato com a prefeitura da cidade e aguarda um posicionamento. Na última quarta-feira (19), o Executivo Municipal publicou nas redes sociais uma nota em que disse que “circulam nas redes sociais notícias de que um servidor do Município teria sido vítima de racismo no desempenho de suas funções. Informamos que o Município não recebeu denúncia sobre os fatos narrados e, se recebida a denúncia, os fatos serão apurados”.