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Agora, imagine essa festa sem ter que organizar ou ser convidado para uma festa, sem ter de cantar parabéns ou se preocupar com a hora de ir embora. Na Cidade Baixa, bairro boêmio de Porto Alegre, uma confeitaria transformou esse sonho em um negócio real, e o resultado foi um sucesso maior do que o esperado.
Por trás do fenômeno, está a jornada de uma empreendedora que trocou os cálculos da engenharia pela precisão das receitas. Natural de Santa Rosa, Liandra Winck se mudou para Porto Alegre para cursar o Ensino Médio.
Para ajudar na renda da família, começou a vender docinhos na rua e na escola. A paixão virou negócio sério e, mesmo após ingressar no curso de Engenharia de Minas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ela continuou com as vendas.
O dilema surgiu quando as encomendas cresceram e ficou impossível conciliar os estudos com a produção.
“O amor pelos docinhos ganhou”, conta.
O negócio se consolidou com um espaço físico há quase seis anos e explodiu no delivery durante a pandemia. Foi dessa necessidade de atrair o público que, em um dia comum na cozinha, surgiu a ideia que mudaria tudo.
“Por que não fazer um rodízio de brigadeiro?”, sugeriu às funcionárias. A reação imediata foi de dúvida. “Não, não vai dar certo”, ouviram.
Apesar do ceticismo, a ideia foi para a frente como um teste, inicialmente apenas com doces. Foram os próprios clientes, encantados com a possibilidade, que deram a dica de ouro: incluir também os salgadinhos. O que era para ser uma degustação de brigadeiros se transformou em uma experiência completa de aniversário.
Conheça o rodízio que viralizou no RS com banquete de doces e salgados — Foto: Duda Romagna/g1 RS
A explosão de clientes
O ponto de virada foi um vídeo. Uma postagem despretensiosa sobre o rodízio viralizou nas redes sociais, e o que se seguiu foi um número expressivo de clientes.
“No outro final de semana, havia filas”, relembra a proprietária.
A pequena loja, que antes acomodava 20 pessoas e tinha o delivery como foco, não estava pronta para o impacto. Os bastidores dos primeiros dias de fama foram caóticos.
“A gente não tinha preparação nenhuma”, admite.
Faltavam pratos para atender a todos. A estrutura elétrica não suportava a demanda: ligar todas as fritadeiras ao mesmo tempo derrubava a energia. Não havia freezers ou geladeiras suficientes para o volume de insumos. Foi uma corrida desesperada contra o tempo para adaptar a operação em questão de dias.
A solução foi crescer, e rápido. A confeitaria se expandiu para o imóvel da esquina, triplicando a capacidade de 20 para 80 lugares sentados, além de inaugurar uma área externa. A cozinha, que antes tinha um ritmo controlado, virou quase uma linha de produção industrial.
A dimensão da operação fica clara na equipe: o time, que durante a semana opera com cerca de quatro funcionários, salta para 25 pessoas para conseguir atender à demanda do rodízio nos fins de semana.
Os números dão a dimensão do fenômeno: em um único domingo, o rodízio atendeu um recorde de 390 pessoas. Em um fim de semana, o consumo pode chegar a 40 quilos de batata frita. Em um dia de pico, foram quase 700 pães de cachorro-quente.
Com menos de cinco meses de existência, o rodízio se tornou o carro-chefe absoluto do negócio, que já tem quase seis anos de história, e a fama da “festa sem criança” extrapolou as fronteiras do Rio Grande do Sul.
A proprietária conta, ainda incrédula, sobre um grupo que viajou de carro de Santa Catarina apenas para a experiência.
“Eu falei: ‘não é possível que vocês vieram de lá só para o rodízio’. E eles vieram”, diz.
Diariamente, o telefone recebe mensagens de diferentes DDDs de todo o Brasil, com pedidos de abertura de filiais.
“Calma, gente! Vamos devagar”, responde a empreendedora, tentando manter os pés no chão diante do crescimento do negócio.
A realidade do mercado também se impôs, e um reajuste de preço foi necessário para que “as contas fechassem”. Para a dona, o rodízio ainda é um “bebê” em desenvolvimento. Cada fim de semana é um novo aprendizado, um ajuste fino na operação que nasceu do acaso e se provou ser o sonho de consumo de milhares de adultos.
Serviço
- O que? Rodízio de doces e salgados de festa
- Quando? Nos finais de semana
- Onde? Brigadeiros da Li, na rua General Lima e Silva, 1345 – Porto Alegre
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