sexta-feira, abril 17, 2026
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Há 10 anos, oficina forma novas drag queens em Porto Alegre: ‘arte drag é pra quem tem corpo’

por admin
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Há 10 anos, uma oficina de vivência artística em Porto Alegre ajuda pessoas a experimentar a linguagem drag e a criar sua persona de palco. Durante três meses, o Pimp My Drag, coordenado pela drag queen Cassandra Calabouço, conduz encontros práticos e acolhedores abertos a maiores de 18 anos.

🔍 A drag queen é uma artista performática que cria uma persona feminina estilizada com maquiagem, roupas e adereços para entretenimento e expressão artística. A atividade é aberta a qualquer pessoa, sem recorte por identidade de gênero ou orientação sexual.

“A arte é plural”, diz a coordenadora, que resume: “Arte drag é para quem quer. É para quem tem corpo”.

O processo envolve referências do universo pop e vivências pessoais. Ao longo dos encontros, o grupo constrói um espaço seguro para enfrentar medos, sendo a timidez a que mais aparece. “A arte não é terapia, mas pode ser terapêutica”, afirma Cassandra.

Mestrando no Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFRGS, Nilton Gaffrée Júnior, quem dá vida à Cassandra, investiga a “dragificação de corpos a partir da dança”, segundo ele, a montagem “de dentro para fora”.

“Quando a gente está montado, não é só botar a roupa: o corpo se move diferente. Tem uma intencionalidade e uma presença cênica diferenciada”, diz.

A drag queen Cassandra Calabouço tem 25 anos de história — Foto: Divulgação/Baile de Perucas

Como funciona a vivência 🎭

O trabalho propõe experimentar linguagem e presença cênica. O discurso pode aparecer em fala, dublagem ou lip-sync. A figura drag opera “quase como uma máscara”: outro corpo, outro nome e outro modo de se mover.

“É visível quando a pessoa encontra a sua pessoa; vem um brilho no olho”, descreve.

Os ensaios são sem figurino, “de tênis e roupa confortável”.

Durante a Mostra Urgente de Artes Cênicas O Futuro é Agora, na Zona Cultural, em Porto Alegre, Cassandra conduziu uma aula aberta de três horas. No evento o foco foi apenas o corpo: sem peruca, maquiagem ou salto alto. Participantes criaram nomes drag e gestos representativos.

Cláudia Machado, de 57 anos, concluiu o curso e apresentou a persona Monalisa Baubo no “Baile de Perucas — A Revolução é Drag” — Foto: Divulgação/Baile de Perucas

Nasce Monalisa Baubo 👠

Em 2024, Cláudia Machado, de 57 anos, concluiu o curso e apresentou a persona Monalisa Baubo no “Baile de Perucas — A Revolução é Drag”. Ela descreve o processo como “uma libertação” e define a persona como “lasciva e divertida”. Cassandra atuou como “mãe drag”, orientando maquiagem, figurino e performance, em ambiente de acolhimento.

Outra inspiração para Cláudia foi o espetáculo “Onde está Cassandra?”, com a bailarina Aline Karpinski.

“Eu não sabia que existiam mulheres que se montavam”, relata. “Drag queen não é personagem, é uma persona, uma extensão do que eu sou”, diz.

Cláudia cita motivações para manter Monalisa viva: diversão, expressão artística, desconstrução de estereótipos de gênero, valorização do corpo gordo, empoderamento feminino e exploração de diferentes facetas da identidade. “A arte drag queen é para todas as pessoas”, afirma.

Para Cassandra, idade não define facilidade. “Pessoas mais maduras costumam se preocupar menos com julgamentos e se soltam mais”, comenta.

Há 10 anos, oficina forma novas drag queens em Porto Alegre — Foto: Divulgação/Baile de Perucas

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