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Carla afirma ter sido atendida pelo cardiologista quando morava em Taquara. “A gente fica numa posição muito frágil. Eu me senti muito impotente, agredida, muito agredida“, afirma, sobre o episódio.
A mulher conta que procurou o cardiologista para um exame de imagem do coração. Ela diz ter estranhado o procedimento quando teria sido deixada sozinha com ele em uma sala escura.
“Ele tirava (a roupa) e passava a mão no meu seio. Acariciava meu seio. Ali já comecei a ficar muito nervosa”, relembra.
Ao sair do consultório, ela disse que percebeu o que havia acontecido. “Quando saí do consultório e fui caminhando até o meu carro, eu disse: ‘gente, eu fui vítima de um abuso sexual agora’. Ele abusou da postura dele de médico’“, afirma.
Ela deve registrar um boletim de ocorrência nesta sexta-feira (3) e espera que isso possa inspirar outras mulheres.
“Estou aparecendo aqui porque eu acho que esse meu ato de coragem. Gostaria de encorajar as mulheres a se manifestarem, a fazerem o boletim de ocorrência, que elas não fiquem com medo de serem punidas e difamadas.”
Por nota, a defesa afirmou que o cardiologista “não reconhece as imputações que lhe são atribuídas, aguardando o acesso integral aos autos e a todos os supostos fatos para o devido esclarecimento”. (Leia íntegra abaixo)
O delegado Valeriano Garcia Neto destaca a similaridade entre os depoimentos coletados até o momento. “Os relatos são muito parecidos. Ele orientava e convencia as vítimas a se despirem. Quando elas estavam só de roupa íntima, sem sutiã, sem blusa, ele se abraçava nas vítimas, pressionava o corpo da vítima contra o seu corpo e passava a acariciar o corpo das vítimas, a beijar o corpo das vítimas, sob o pretexto de uma atenção carinhosa e de orientação espiritual”, afirma.
“É um número expressivo de vítimas contando a mesma história com riqueza de detalhes coincidentes”, completa.
Ao menos 30 vítimas já foram ouvidas
A Polícia Civil já abriu inquéritos e ouviu o depoimento de 30 possíveis vítimas do cardiologista. São pacientes e funcionárias mulheres que fizeram registro de ocorrência e já prestaram depoimento. Conforme a polícia, o cardiologista agia desta forma há pelo menos dois anos.
De acordo com a polícia, são investigados os possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável.
Médico é preso suspeito de crimes sexuais contra pacientes no RS — Foto: Divulgação/Polícia Civil
Daniel Pereira Kollet foi encaminhado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), centro de triagem de presos na capital.
Denúncias anônimas podem ser feitas no telefone (51) 98443-3481.
Médico é preso suspeito de importunação sexual contra pacientes no RS — Foto: Divulgação/Polícia Civil
O que diz a defesa do médico
“Nosso escritório ainda não teve acesso ao inquérito que originou a prisão, contando, até o momento, apenas com informações preliminares. Em conversa com nosso cliente, este negou integralmente todas as acusações que lhe foram imputadas.
Trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes.
Tão logo tenhamos acesso integral aos autos, nosso escritório emitirá nota oficial, que permitirá o completo esclarecimento dos fatos.”
O que diz o Cremers
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) divulgou nota a respeito do caso (leia íntegra):
“O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis.”

Médico é preso por suspeita de importunação sexual contra pacientes em Taquara