“São várias emoções ao mesmo tempo: você fica com medo, mas também com raiva. Você quer justiça, mas também fica com medo de onde essas fotos podem ter ido parar, qual é a proporção que isso pode ter”, diz a mulher, que prefere não se identificar.
A vítima relatou ter feito diversos ensaios ao longo de quatro anos e contou que só descobriu a divulgação ao encontrar as imagens no site.
De acordo com a investigação, o suspeito, que não teve o nome divulgado, estaria divulgando e colocando à venda imagens íntimas de mulheres em site de conteúdo adulto sem o consentimento das vítimas.
Segundo a polícia, o suspeito abordava mulheres que trabalham com a própria imagem, como influenciadoras e modelos, oferecendo ensaios fotográficos por valores abaixo do mercado, entre R$ 30 e R$ 50. Durante as sessões, ele convencia as vítimas a retirar peças de roupa e fazer poses sensuais.
A delegada responsável, Thaís Dias Dequech, informou que as fotos foram feitas com autorização das vítimas, mas a divulgação e a venda do material não tiveram consentimento.
Conforme a polícia, o fotógrafo criava um ambiente descontraído durante os ensaios e insistia para que as mulheres fizessem poses mais sensuais.
Vítima de fotógrafo suspeito de vender imagens íntimas relata medo ao descobrir fotos em plataforma de conteúdo adulto — Foto: Reprodução/RBS TV
Investigação
Além da prisão, também foram apreendidos aparelhos eletrônicos, que serão submetidos à perícia técnica. As ordens judiciais foram cumpridas no bairro Petrópolis, na Zona Leste da capital. A polícia estima que ao menos 2,8 mil imagens tenham sido publicadas na plataforma.
Segundo a delegada Thaís, mais de 20 mulheres já registraram boletim de ocorrência contra o homem, mas a polícia suspeita de que o número de vítimas possa passar de 100 em todo o Brasil.
As primeiras denúncias surgiram no início de dezembro do ano passado, quando vítimas se reconheceram nas imagens publicadas. Mulheres de diferentes cidades gaúchas procuraram a polícia.
As investigações prosseguem e buscam identificar outras possíveis vítimas. A operação, batizada de Imagem Protegida, tem o objetivo de reprimir a divulgação não consentida de cenas de nudez em ambiente digital.
Fotógrafo é preso suspeito de divulgar e colocar à venda fotos íntimas de mulheres — Foto: Divulgação/Polícia Civil