sexta-feira, abril 17, 2026
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MP denuncia casal de influenciadores de Canoas por associação criminosa, lavagem de dinheiro e jogos de azar

por admin
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O casal segue preso e a denúncia foi oferecida à Justiça no final de junho, segundo o MP. De acordo com a denúncia, o casal e os outros integrantes do esquema criminoso utilizavam rifas virtuais como fachada para movimentações financeiras suspeitas e atividades ilícitas. Os dois haviam sido alvo de medidas cautelares, como o bloqueio de redes sociais, uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento de passaportes.

A defesa diz que ficou “surpresa” com a denuncia, e que “demonstrará a injustiça que se está fazendo com o casal denunciado”. Leia na íntegra abaixo.

Segundo o MP, outras quatro pessoas também foram denunciadas por associação criminosa, três delas respondem ainda por lavagem de dinheiro e duas por jogos de azar. A reabertura do inquérito teria ocorrido após a divulgação de vídeos nas redes sociais, que indicavam a continuidade das práticas mesmo após a imposição das medidas judiciais.

O esquema

Conforme a legislação brasileira, rifas virtuais são ilegais. Exceto se houver uma autorização expressa do Ministério da Fazenda, todo e qualquer tipo de sorteio, envolvendo rifa ou qualquer outro jogo de azar, é tido como um “ato ilícito”.

Geralmente, há permissão para causas filantrópicas, mas apenas de prêmio e brindes – não de dinheiro. Além disso, a investigação policial aponta que, até 2023, o dinheiro pago pelo público interessado nas rifas ia direto para as contas do casal, o que é irregular.

A partir de 2024, a dupla teria contratado uma “empresa de título de capitalização”. Só que, por lei, os títulos precisavam estar vinculados a uma entidade beneficente, explica a Polícia Civil. O casal teria tentado dar legitimidade ao esquema ao associar as rifas a uma empresa de títulos de capitalização.

O sistema adotado teria sido o “filantropia premiável”, em que parte da arrecadação das rifas deveria ser destinada a uma instituição social. No papel, 33,4% do valor arrecadado iria para uma ONG. No entanto, a investigação apontou que o projeto recebia apenas 2,4%, enquanto o restante voltava para os influenciadores, por meio de contratos de publicidade.

“Para nossa surpresa, a empresa capitalizadora, que é a maior especialista no assunto dentre todas as partes envolvidas, protagonizou a negociação que terminou por deixar apenas 2,4%, ao invés de 33,4% do faturamento bruto com as rifas para a filantropia”, afirma o delegado Filipe Bringhenti.

Por fim, a polícia aponta para a prática do crime de lavagem de dinheiro. Os valores arrecadados com as rifas, segundo a investigação, seriam misturados com o faturamento de empresas do casal, voltadas à prestação de serviços e também à venda de produtos paralelos.

O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para mais informações sobre o andamento da denúncia na Justiça mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A defesa ficou surpresa com a denúncia oferecida, tendo em vista que o próprio Ministério Público havia promovido, nos mesmos autos, o arquivamento de alguns delitos agora denunciados. A instrução do processo demonstrará a injustiça que se está fazendo com o casal denunciado.

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