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Quase 400 animais marinhos foram encontrados mortos no Litoral Sul do Rio Grande do Sul somente no mês de janeiro, segundo levantamento de pesquisadores que monitoram a região. Tartarugas, aves e mamíferos marinhos estão entre as espécies mais afetadas.
Segundo a professora de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Silvina Bota, o trabalho intensivo de janeiro identificou mais de 200 tartarugas, mais de 100 aves marinhas e aproximadamente 70 mamíferos, entre golfinhos, lobos e leões-marinhos.
Os pesquisadores explicam que, apesar dos números chamarem atenção, essa mortalidade é comum nesta época do ano e está ligada principalmente à intensa atividade pesqueira durante o verão.
“Muitas dessas mortes podem estar associadas a essa interferência com a pesca, a essa sobreposição entre a pesca e esses animais marinhos que estão se alimentando na mesma região”, afirma Silvina.
As carcaças são encaminhadas ao laboratório para necropsia e identificação das causas da morte.
Ações preventivas
A equipe também destaca a necessidade de medidas preventivas, especialmente em áreas onde a biodiversidade é mais sensível. Uma unidade de conservação marinha está em análise para a região do Albardão, no Sul do estado, considerada um ponto importante de biodiversidade.
Como explica Sérgio Estima, coordenador de projetos do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA), a ideia é regulamentar as atividades. “A ideia dessa região do Albardão é criar uma unidade de conservação para regrar atividades, como geração de energia eólica e atividades pesqueiras.”
Atendimento aos animais feridos
Além do monitoramento científico, há ações contínuas de atendimento aos animais encontrados com vida. O Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM) é acionado para os primeiros cuidados.
“Nós trabalhamos em rede, em parceria com essas instituições, para que possamos dar o primeiro atendimento o mais rápido possível para esses animais que estão nessa situação, necessitando de cuidados”, afirma a coordenadora do CRAM, Paula Canabarro.
O centro mantém atualmente oito animais em reabilitação: seis pinguins, uma toninha e um lobo-marinho. O local é aberto à visitação e famílias podem mostrar às crianças sobre a importância de preservar a vida marinha. “É um aprendizado para elas. É importante elas aprenderem a ter cuidado com esses animais também”, diz Josué de Moura Wise, visitante que levou os filhos.
Quase 400 animais marinhos encontrados mortos no RS: entenda por que a mortalidade aumenta no verão — Foto: Reprodução/RBS TV