sexta-feira, abril 17, 2026
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Seis meses após tragédia aérea em Gramado que matou 11 pessoas, investigações seguem sem conclusão

por admin
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A dor e as perguntas ainda permanecem. Mais de 180 dias depois da tragédia, o caso segue em investigação pelas autoridades.

Desde o acidente, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) conduz a investigação sobre os fatores que podem ter contribuído para a queda da aeronave. Leia, na reportagem, o que se sabe sobre o caso:

Como está a investigação

Local em que avião caiu em Gramado, no RS, seis meses depois — Foto: Débora Padilha/ RBS TV

Desde o início dos trabalhos, o Cenipa tem concentrado esforços em entender a sequência de eventos que levou à colisão da aeronave com uma chaminé, seguida do impacto em uma residência e, por fim, a queda sobre uma loja de móveis.

A complexidade do caso exigiu a formação de uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas em fatores operacionais (pilotos e mecânicos), fatores humanos (médicos e psicólogos) e fator material (engenheiros aeronáuticos e mecânicos).

  1. A primeira delas foi classificada como voo controlado contra o terreno (CFIT, na sigla em inglês), também conhecido como “Controlled Flight Into Terrain”. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explica que o CFIT acontece quando uma aeronave, apesar de ter seus sistemas e equipamentos funcionando e estando sob o controle do piloto, colide com o solo, água ou algum obstáculo. De acordo com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, esse tipo de acidente pode ser causado por uma falha do piloto, sem conseguir perceber corretamente a posição da aeronave em relação ao solo ou obstáculos;
  2. A segunda causa identificada foi a perda de controle em voo (LOC-I, na sigla em inglês), conhecido como “Loss of Control in-Flight“, que se caracteriza por uma mudança extrema na trajetória da aeronave. Em nota, o órgão informou que a investigação segue em andamento e não tem data para emitir um relatório final.

Atualmente, a investigação está na “fase de análise de questões relacionadas à operação da aeronave, seus sistemas, componentes e aspectos de manutenção“.

O Cenipa informou que já foram extraídos sistemas e peças relevantes da aeronave para análise técnica. Esses elementos são fundamentais para reconstruir a dinâmica do acidente e identificar falhas mecânicas ou operacionais.

Também estão sendo examinadas questões ligadas ao desempenho técnico do ser humano e condições meteorológicas, com o objetivo de elucidar a sequência de eventos e os possíveis fatores que tenham contribuído para o acidente.

Inquérito criminal

Destroços de avião que caiu em Gramado — Foto: Reprodução/RBS TV

A Polícia Civil de Gramado, responsável pelo inquérito criminal, aguarda a conclusão do relatório técnico do Cenipa para finalizar sua parte da investigação.

A delegada Fernanda Aranha, que conduz o caso, preferiu não comentar o andamento dos trabalhos

O Ministério Público também aguarda o encerramento do inquérito policial para tomar as medidas cabíveis. “Não há responsabilidade do aeroporto sobre o controle da aeronave”, diz nota.

Infraestrutura do aeroporto

Desde setembro do ano passado, o Aeroporto de Canela, onde o avião decolou, é administrado pela Infraero. De acordo com o órgão, foi concluída a instalação do Sistema Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão – o chamado PAPI – em ambas as cabeceiras da pista. O equipamento deve entrar em operação após a homologação pelos órgãos competentes.

A Infraero informou também que está em fase de contratação um serviço para implantação da Estação Meteorológica de Superfície (EMS) no Aeroporto de Canela. O equipamento faz observações meteorológicas para fins aeronáuticos e pode fazer registros dos dados das observações para fins climatológicos.

O órgão disse ainda, em nota, que “nenhum desses equipamentos teria evitado o acidente ocorrido em dezembro de 2024, uma vez que, conforme já apontado em relatório preliminar do Cenipa, a queda se deu logo após a decolagem — fase na qual não há atuação de sistemas terrestres de auxílio à navegação, nem responsabilidade do aeroporto sobre o controle da aeronave”.

Ainda segundo a Infraero, “a ausência desses recursos não guarda relação direta com os fatores que contribuíram para este trágico acidente específico”.

Relembre o acidente

VÍDEO mostra momento da queda de avião em Gramado por outro ângulo

VÍDEO mostra momento da queda de avião em Gramado por outro ângulo

O avião tinha como destino Jundiaí (SP) e era pilotado pelo empresário Luiz Cláudio Galeazzi. Ele e os demais ocupantes não sobreviveram. De acordo com a investigação, no meio do percurso, o avião bateu contra a chaminé de um prédio, perto da Avenida das Hortênsias. Na sequência, a aeronave acertou o segundo andar de uma residência e, então, caiu sobre uma loja de móveis.

Os destroços ainda alcançaram uma pousada, onde duas pessoas ficaram gravemente feridas com queimaduras. Uma delas, a camareira do estabelecimento, identificada como Lizabel de Moura Pereira, morreu três meses depois de ficar internada. Lizabel teve 43% do corpo queimado no acidente.

A outra pessoa que também estava na pousada e precisou ser hospitalizada recebeu alta em fevereiro. Valdete Maristela Santos da Silva chegou ao hospital com queimaduras de 2º e 3º graus em 30% do corpo.

Quem era o empresário que pilotava o avião

Luiz Galeazzi — Foto: Reprodução/Galeazzi & Associados

A empresa foi fundada pelo pai dele, Cláudio Galeazzi, que morreu de câncer em 2023. Luiz Cláudio viajava com a mulher, três filhas, a irmã, o cunhado a sogra e duas crianças.

Em 2010, ele perdeu a mãe, Maria Leonor Salgueiro Galeazzi, também num acidente aéreo. O avião bimotor em que ela estava caiu na região de Sorocaba, interior de São Paulo.

Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o bimotor estava no registrado no nome de Luiz Cláudio.

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