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Nas imagens entregues à CPI, um homem com roupa clara e boné aparece saindo da pousada às 2h03 de 26 de abril, horário aproximado ao do incêndio. A câmera fica na esquina da Avenida Farrapos com a Rua Garibaldi, a poucos metros da pousada. Do outro lado da avenida, as imagens mostram outro homem, de camisa escura, apontando o dedo em direção à pousada.
Instantes depois, as imagens mostram pessoas deixando a pousada, enquanto o homem de roupa escura caminha de volta em direção à pousada. Já o homem de roupa clara e boné aparece distante do local, rumando em direção ao Centro Histórico.
O Ministério Público do RS (MPRS) denunciou três pessoas, entre elas dois servidores da extinta Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) e o dono da pousada, por homicídio com dolo eventual. Caso a Justiça aceite a denúncia, os denunciados podem ir a júri popular.
Vídeo mostra homem saindo de Pousada Garoa momentos antes de incêndio que matou 11 em Porto Alegre — Foto: Reprodução/Câmera de segurança
Boletins de ocorrência
A RBS TV e o g1 também tiveram acesso a depoimentos dados à Políciai Civil por testemunhas do incêndio. Em um deles, o depoente faz menção a um homem que nunca havia sido visto na pousada e teria entrado no local às 22h do dia do incêndio. Em outro depoimento, uma testemunha faz menção a uma pessoa que “queria pegar um cara” tentando acessar a pousada pelos fundos.
Em um boletim de ocorrência registrado por moradores da Pousada Garoa logo após o incêndio, também é feita menção a um homem desconhecido que entrou no local naquela noite. As testemunhas pedem, no boletim de ocorrência, que as câmeras da região sejam acessadas.
Segundo os advogados de dois denunciados pelo MPRS, a polícia não juntou ao inquérito as imagens do homem saindo da pousada.
De acordo com o relator da CPI que corre na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, o vereador Marcos Felipi Garcia, os vídeos devem ser apresentados na sessão da próxima segunda-feira.
“A imagem vai ser esclarecedora, tanto para esses depoimentos divergentes, quanto para o futuro da investigação”, diz Garcia.
As imagens foram obtidas pelo advogado do então presidente da Fasc, que precisou ingressar na Justiça para ter acesso aos vídeos.
“A imagem é muito clara e reforça o nosso pedido de reabertura do inquérito para a identificação desses indivíduos, para a perícia dessas imagens e para a oitiva dos moradores da pousada que fizeram uma ocorrência policial sobre o dia do incêndio, que é que essa ocorrência sequer foi anexada aos autos”, diz Fabio Luiz Correa dos Santos, advogado de Cristiano Atelier Roratto.
A defesa de Patrícia Mônaco Schüler, então fiscal de serviço da Fasc, afirma que também havia pedido as imagens. A defesa de André Kologeski, dono da Pousada Garoa, diz acreditar que o incêndio foi criminoso e que o vídeo precisa ser analisado em conjunto com os depoimentos.
Já o delegado Daniel Ordahi, que investigou o caso, diz que prefere não se manifestar sobre um fato que não esta mais sob sua responsabilidade e que se pronunciou no inquérito entregue à Justiça em dezembro do ano passado.
Nesta sexta-feira (28), a CPI recebeu a íntegra do inquérito que investigou o caso e convocou para prestar depoimento seis moradores da pousada à época do incêndio.
“Nós investigamos porque as pessoas não puderam sair de um local contratado pela prefeitura. Isso é mais importante na investigação de uma CPI do que o fato da origem do fogo. A origem do fogo é um objeto mais de investigação policial que da CPI”, afirma o presidente da CPI, Pedro Ruas.
Relembre o caso
O incêndio atingiu uma pousada e deixou 11 pessoas mortas, na região central de Porto Alegre, na madrugada do dia 26 de abril de 2024. O local abrigava pessoas em situação de vulnerabilidade social.
O incêndio aconteceu em uma das unidades da Pousada Garoa, na Avenida Farrapos, na região central de Porto Alegre. O prédio fica entre as ruas Barros Cassal e Garibaldi, a poucos metros da Estação Rodoviária.
Local da pousada que foi atingida por incêndio que matou pessoas em Porto Alegre — Foto: g1