{"id":35659,"date":"2025-08-01T02:36:26","date_gmt":"2025-08-01T05:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/foi-um-descaso-do-estado-diz-irma-de-vitima-de-feminicidio-morta-mesmo-com-medida-protetiva-no-rs\/"},"modified":"2025-08-01T02:36:26","modified_gmt":"2025-08-01T05:36:26","slug":"foi-um-descaso-do-estado-diz-irma-de-vitima-de-feminicidio-morta-mesmo-com-medida-protetiva-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/foi-um-descaso-do-estado-diz-irma-de-vitima-de-feminicidio-morta-mesmo-com-medida-protetiva-no-rs\/","title":{"rendered":"&#8216;Foi um descaso do estado&#8217;, diz irm\u00e3 de v\u00edtima de feminic\u00eddio morta mesmo com medida protetiva no RS"},"content":{"rendered":"<div>\n<div id=\"chunk-2sbo2\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> O caso, ocorrido em maio, em Tr\u00eas Coroas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, exp\u00f4s a fragilidade da rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no Rio Grande do Sul \u2014 estado que lidera o ranking de feminic\u00eddios mesmo com medida protetiva ativa, conforme os dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. <em>Veja mais abaixo.<\/em> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-4im2l\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> Juliana havia pedido uma medida protetiva contra Ederson Jesus da Silveira <strong>tr\u00eas dias antes de ser assassinada<\/strong>. A medida foi encaminhada pela delegacia e chegou a ser determinada pelo Judici\u00e1rio, mas o agressor nunca foi intimado. Ele foi preso ao dar entrada em um hospital, no dia ao crime. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-8jnr3\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> No dia 19 de maio, ele invadiu a casa onde as v\u00edtimas moravam e desferiu diversas facadas, segundo o boletim de ocorr\u00eancia. Juliana morreu no local. Zilma chegou a ser hospitalizada, mas faleceu dias depois. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"26\" id=\"chunk-fjkhg\">\n<blockquote><p>&#8220;Para mim \u00e9 muito descaso do estado, sabe, parece que as vidas das mulheres n\u00e3o importa. N\u00e3o fizeram alguma coisa mais assertiva, patrulha, acompanhamento, nada&#8221;, criticou. <\/p><\/blockquote><\/div>\n<div id=\"chunk-bhtsm\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> Sobre o caso da Juliana, o Judici\u00e1rio informou que, apesar de a medida ter sido determinada, o assassino ainda n\u00e3o tinha sido intimado e, por isso, a medida n\u00e3o era considerada ativa. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-4t7ck\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> \u00c0 \u00e9poca do crime, Luana morava na Austr\u00e1lia, onde estudava e trabalhava. Voltou \u00e0s pressas para o Brasil e tamb\u00e9m para assumir a guarda da sobrinha, uma menina de cinco anos que presenciou o crime. Ela n\u00e3o pretende voltar, como relatou em entrevista ao Jornal do Almo\u00e7o, da <strong>RBS TV.<\/strong> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-68dj4\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> &#8220;Hoje eu topei da entrevista porque eu queria que se as mulheres estivessem ouvindo isso, que elas procurem algu\u00e9m, que elas procurem ajuda, que elas n\u00e3o se silenciem por algu\u00e9m, que elas consigam procurar o quanto antes que isso aconte\u00e7a, que o Estado consiga enxergar que as mulheres precisam ser ouvidas, que as mulheres precisam de aten\u00e7\u00e3o e que isso t\u00e1 acontecendo muito&#8221;. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-6849j\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> Luana conta que a irm\u00e3 conheceu o ex-companheiro pela internet. Ap\u00f3s poucos meses, ele foi morar com Juliana, a filha e a m\u00e3e. No in\u00edcio, era carinhoso. Mas, aos poucos, o comportamento mudou: ele passou a monitorar o celular de Juliana, impedir que ela sa\u00edsse sozinha e, segundo a fam\u00edlia, tentou instalar c\u00e2meras na casa. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"9\" id=\"chunk-51a3n\">\n<p><h2>RS lidera ranking de feminic\u00eddios com medida protetiva ativa<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-lie\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> O caso da Juliana n\u00e3o \u00e9 isolado. Conforme o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2025, o Rio Grande do Sul <span>lidera o ranking nacional de feminic\u00eddios cometidos mesmo com medida protetiva de urg\u00eancia ativa.<\/span> Em 2024, foram 14 mulheres assassinadas nessas condi\u00e7\u00f5es \u2014 27% dos casos registrados no pa\u00eds inteiro. No ano anterior, foram 22 no estado. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-chm5f\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> Pela primeira vez, o levantamento incluiu dados sobre descumprimentos de medidas protetivas que n\u00e3o resultaram em feminic\u00eddio, tamb\u00e9m liderado pelo RS. Foram quase 12 mil registros de descumprimento em 2024 no Estado, o equivalente a 106,1 casos a cada 100 mil mulheres \u2014 mais que o dobro da m\u00e9dia nacional. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-2hd5h\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> \u201cA medida protetiva de urg\u00eancia tem sido a principal aposta estatal no enfrentamento da viol\u00eancia contra a mulher no sentido de tentar prevenir que uma viol\u00eancia se agrave, mas o que a gente v\u00ea esse ano \u00e9 que a medida protetiva n\u00e3o d\u00e1 conta de todos os casos. O que os dados nos mostram \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o bastante negativa do Rio Grande do Sul nesse sentido\u201d, afirma a pesquisadora Isabella Matosinhos, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"3\" id=\"chunk-9ubdq\">\n<p><h2>Estado contesta pesquisa<\/h2>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-bi3ni\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> A diretora do Departamento de Grupos Vulner\u00e1veis da Pol\u00edcia Civil, delegada Tatiana Bastos, contesta a leitura isolada dos n\u00fameros. <span>Ela diz que o Rio Grande do Sul historicamente concede muitas medidas \u2014 <\/span><strong><span>e que esse volume pode influenciar os \u00edndices de descumprimento.<\/span><\/strong> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-dmbnp\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> \u201cSe n\u00f3s temos essas 51 mil medidas protetiva e, 14 mulheres, segundo o anu\u00e1rio, que acabaram sendo v\u00edtimas de feminic\u00eddio, mesmo estando com a medida protetiva v\u00e1lida, a gente ainda assim salvou mais de 50 mil vidas. Ent\u00e3o, a perspectiva muda o nosso cen\u00e1rio\u201d, argumenta. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-f1764\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> A ju\u00edza-corregedora do Tribunal de Justi\u00e7a do RS, Ta\u00eds Culau de Barros, <strong>alega que o estado tem tradi\u00e7\u00e3o de determinar um alto n\u00famero de medidas, o que, consequentemente, faz com que tenha um n\u00famero maior de descumprimentos<\/strong>. Para ela, o sistema tem buscado alternativas como tornozeleiras eletr\u00f4nicas e monitoramento de v\u00edtimas e agressores. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-34v6t\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> &#8220;Obviamente n\u00f3s vimos com muita preocupa\u00e7\u00e3o os dados. <strong>Toda mulher que tem medida protetiva tem que estar segura<\/strong>. Mas o contr\u00e1rio \u00e9 o que tem que ser enfatizado, as in\u00fameras mulheres que foram salvas por ter medida protetiva. N\u00f3s temos no estado, at\u00e9 o momento, mais de 20 mil mulheres com medida protetiva s\u00f3 esse ano. E poucos casos de feminic\u00eddio, claro que deveria existir nenhum. Mas \u00e9 importante a gente continuar enfatizando que as mulheres t\u00eam que buscar ajuda, t\u00eam que pedir a medida protetiva e ir at\u00e9 uma delegacia&#8221;, refor\u00e7ou. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-4kqtp\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> J\u00e1 a Brigada Militar informou, em nota, que prendeu 196 homens por descumprimento de medida no ano passado. E que, das mulheres acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha, cinco foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio. A BM disse que 500 policiais foram qualificados neste ano para atuar na prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, mas n\u00e3o respondeu se o trabalho ser\u00e1 ampliado, nem quando. <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-6i63s\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> <strong>O que diz a Brigada Militar<\/strong> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-utom\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> <em>O Rio Grande do Sul apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 10% nos feminic\u00eddios entre 2023 e 2024, apresentando-se como a 13\u00aa menor taxa no ano de 2024. Ainda, importante observar outros n\u00fameros apresentados, como Medidas Protetivas de Urg\u00eancia (MPU) distribu\u00eddas e concedidas pelos Tribunais de Justi\u00e7a, no contexto da Lei Maria da Penha. Nestes casos, o Estado aparece em segundo lugar nacional, somente atr\u00e1s de S\u00e3o Paulo, sendo o terceiro em MPU emitidas por 100 mil mulheres, e o segundo em registro de descumprimentos, muitos dos quais com resposta r\u00e1pida, uma vez que no ano de 2024 foram realizadas 196 pris\u00f5es pela Brigada Militar por descumprimento de MPU. <\/em> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-ffle7\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> <em>Quanto \u00e0s a\u00e7\u00f5es da Brigada Militar, a Patrulha Maria da Penha realiza o acompanhamento das MPUs recebidas do Poder Judici\u00e1rio, de modo que dos casos acompanhados pela Brigada Militar, somente cinco foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio, no ano de 2024. <\/em> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-cqp4q\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> <em>Destaca-se que a atua\u00e7\u00e3o na preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica ocorre em todo o RS, com a condu\u00e7\u00e3o de 9.601 agressores \u00e0 delegacia pela Brigada Militar, somente em 2024. Al\u00e9m disso, a Brigada Militar constantemente qualifica o efetivo para o atendimento de ocorr\u00eancias, no contexto da Lei Maria da Penha, e para o acompanhamento de medidas protetivas. Somente no ano de 2025, j\u00e1 foram qualificados mais de 500 policiais militares.<\/em> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"chunk-u39e\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links> <em>Por fim, ressalta-se que dos 27 entes federativos listados no Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica, somente 12 forneceram informa\u00e7\u00f5es completas dos anos de 2023 e 2024, ou seja, h\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o referente \u00e0s conclus\u00f5es a serem obtidas, uma vez que fundadas em uma base de dados aparentemente incompleta em alguns dados.<\/em> <\/p>\n<\/p><\/div>\n<div data-block-type=\"backstage-photo\" id=\"chunk-keej\">\n<p> Juliana, v\u00edtima de feminic\u00eddio, e a irm\u00e3, Luana \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/RBS TV <\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso, ocorrido em maio, em Tr\u00eas Coroas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre, exp\u00f4s a fragilidade da rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no Rio Grande do Sul \u2014 estado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35660,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-35659","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-regiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35659\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radioultimapalavra.amelhor.net\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}