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Cinquenta dias após o sumiço de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, a investigação segue sem desfecho. Relembre o caso abaixo.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, mas ainda enfrenta uma série de barreiras que impedem o avanço do caso, mesmo com um único suspeito. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.
Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém “efetiva colaboração com as autoridades” e que “irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus“. Leia abaixo a íntegra.
Mesmo com um suspeito preso e diversas frentes de investigação em andamento, o caso avança lentamente por depender de laudos, dados sigilosos, buscas extensas e um volume grande de análise técnica.
1. Falta dos corpos
Sem localizar a família, os investigadores não conseguem:
- Determinar oficialmente a causa das mortes;
- Identificar como os crimes teriam ocorrido;
- Confirmar se houve participação de outras pessoas.
A ocultação dos corpos, que faz parte da principal linha investigativa, impede que os peritos estabeleçam a dinâmica do caso com precisão.
2. Suspeito em silêncio e acesso a provas
Além disso, ele e a atual companheira não forneceram as senhas dos celulares, o que dificultou com que os agentes acessassem conversas, dados de localização e fotos ou registros que possam indicar deslocamentos na noite do desaparecimento.
3. Veículo visto em câmeras
A checagem individual desses automóveis é demorada e consome parte da força de trabalho da investigação.
4. Laudos do IGP
A polícia aguarda análises complexas do Instituto-Geral de Perícias sobre:
- sangue humano;
- material genético;
- e vestígios coletados na casa da família.
O IGP informou que não há prazo para entrega dos resultados.
Com isso, partes da investigação seguem paralisadas à espera de confirmação.
5. Possível ocultação de provas
Investigadores descobriram que parentes de Cristiano compraram novos celulares após a prisão do policial.
O objetivo agora é localizar os aparelhos antigos e entender se houve troca de mensagens entre familiares e se alguém pode ter ajudado na eliminação de provas ou até na ocultação dos corpos.
Essa linha de investigação amplia o escopo do caso e exige análise sobre possível participação de terceiros.
6. Informações financeiras
Para o delegado Anderson Spier, esses informes são essenciais para avaliar se uma motivação financeira pode ter influenciado o crime.
7. Falhas ou manipulação nas câmeras
A polícia aguarda um laudo técnico do fabricante para descobrir se os arquivos foram enviados à nuvem, há cópias de segurança ou se é possível recuperar parte do conteúdo.
Esses vídeos podem ser decisivos para identificar quem dirigia o carro vermelho ou o que ocorreu dentro da casa na noite de 24 de janeiro.
Relembre o caso

Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)
O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
O fim de semana dos desaparecimentos
- 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
– 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
– 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
– 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. - 25 de janeiro (domingo):
– Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
– Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
– Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
- 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
- 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
- 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
- 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
- 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
Um mês do desaparecimento
- 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês.
- 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
- 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.
Nota da defesa do PM preso
“A defesa de Cristiano diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades.
Por fim, irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus.”
Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/g1