De acordo com a delegada Lisiane Mattarredona, responsável por cumprir a ordem de apreensão expedida pela Justiça, o adolescente está internado no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Pelotas.
“Ele teria alguma participação na tentativa de homicídio desse morador de rua. Ele negou envolvimento durante depoimento. Nós apreendemos na casa dele, onde ele mora com os pais, celular e equipamentos de informação. As provas coletadas devem fazer parte do inquérito, que é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro”, conta a delegada Lisiane.
A apreensão do adolescente fez parte da Operação Adolescência Segura, que cumpriu ordens judiciais em sete estados com o objetivo de desarticular uma das maiores organizações criminosas do país voltadas à prática de crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes. No total, houve a prisão de dois adultos e apreensão de sete menores de idade.
A rede é responsável por diversos crimes graves no ambiente virtual, segundo a Polícia Civil. A investigação revelou que o grupo se organizava virtualmente, por meio de plataformas criptografadas como Discord e Telegram, onde promoviam desafios e competições, sempre de crimes de ódio. Entre os crimes cometidos, estão:
- Tentativa de homicídio
- Induzimento e instigação ao suicídio
- Incentivo à automutilação
- Armazenamento e divulgação de pornografia infantil
- Maus-tratos a animais
- Apologia ao nazismo
Ataque a sem-teto
‘Só escutei o barulho e senti todo o meu corpo queimando’, lembra homem em situação de rua
As investigações iniciaram em 18 de fevereiro de 2025, quando um morador em situação de rua foi atacado e teve 70% do seu corpo queimado por um adolescente que atirou 2 coquetéis molotov na direção do homem.
Não foi fato isolado
A Polícia Civil descobriu que o ataque não foi um fato isolado. “Os administradores do servidor utilizado no crime refletiam uma verdadeira organização criminosa altamente especializada em diversos crimes cibernéticos, tendo como principais alvos crianças e adolescentes”, explicou a polícia do RJ.
“A atuação da quadrilha é tão significativa no cenário virtual que mereceu a atenção de agências independentes dos EUA, a HSI e NCMEC, que emitiram relatórios sobre os fatos, contribuindo com o trabalho dos policiais civis envolvidos no caso”.
A Polícia Civil também descobriu que o grupo se espalhava por diferentes plataformas digitais e usava mecanismos de manipulação psicológica e aliciamento de vítimas em idade escolar, “em um cenário de extremo risco à integridade física e mental de crianças e adolescentes“.
“Como estímulo, eram oferecidas recompensas internas para aqueles que se destacassem nas atividades criminosas”, informou o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os alvos da investigação serão responsabilizados por diversos crimes, incluindo associação criminosa (art. 288 do Código Penal), indução ou instigação à automutilação (art. 122, §4º do Código Penal) e maus-tratos a animais (art. 32 da Lei 9.605/98). As penas podem ultrapassar 10 anos de reclusão.
Material apreendido na Operação Adolescência Segura — Foto: Reprodução/TV Globo