Ataques de abelhas preocupam no RS: entenda os riscos e como se proteger

Ataques de abelhas preocupam no RS: entenda os riscos e como se proteger

Em apenas quatro meses, o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul recebeu 654 chamados para remoção de enxames de abelhas. O número representa cerca de 65% do total registrado em todo o ano passado. Além disso, o estado já contabilizou cinco ataques de abelhas este ano, igualando o número de ataques de todo 2024.

A frequência dos incidentes levanta dúvidas sobre os riscos, o comportamento desses insetos e como a população pode se proteger.

O g1 conversou com o coordenador do Laboratório de Abelhas e Polinização da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Charles Fernando dos Santos para esclarecer os principais pontos sobre o tema. Confira abaixo.

Alta em ataques

Segundo o professor Charles, a época do ano influencia diretamente na ocorrência de ataques.

“De primavera a verão, é um período que elas estão soltando novos enxames para colonizar novos espaços. Então, a chance de ocorrer acidente aumenta mais nesse período ”, explica.

Já no outono e inverno, os ataques tendem a diminuir. Segundo o biólogo, quando ocorrem, geralmente são causados por abelhas que já estão instaladas em algum local e se sentem ameaçadas por atividades humanas, como o uso de máquinas barulhentas ou manutenção em jardins.

Apesar das alterações no clima afetarem diversos organismos, o professor afirma que ainda não há estudos científicos que comprovem uma relação direta entre o aumento da temperatura e o crescimento no número de ataques.

“O que temos são casos pontuais, geralmente relacionados à aproximação humana dos ninhos”, afirma Charles.

O principal fator que contribui para ataques, segundo Charles, é a proximidade com o ninho.

“Quando estão longe do ninho, como em flores, as abelhas não têm comportamento defensivo. Mas se alguém se aproxima demais da colmeia, elas se sentem ameaçadas”, explica o especialista.

As abelhas costumam dar sinais antes de atacar, explica o professor: voam rapidamente em frente ao rosto da pessoa.

Se o alerta não for entendido, uma ferroada pode desencadear um ataque em massa, já que o ferrão libera um feromônio de alarme que atrai outras abelhas.

Como agir ao encontrar um enxame?

De acordo com Charles, a orientação é clara: não se aproxime. Caso o enxame esteja em local de risco, o ideal é solicitar a remoção.

“Mesmo que não represente perigo imediato, o enxame pode crescer e se tornar mais agressivo com o tempo”, alerta Charles.

E se eu for atacado? O que fazer?

  • Afaste-se imediatamente do local do ataque;
  • Procure abrigo em um local fechado, como um carro ou casa;
  • Proteja o rosto e pescoço, que são os principais alvos das abelhas;
  • Evite se jogar em matas ou rios, pois isso pode gerar outros riscos;
  • Remova os ferrões com cuidado, usando uma pinça ou objeto rígido, sempre de baixo para cima, para evitar injetar mais veneno;
  • Mantenha a calma e hidrate-se. O nervosismo pode acelerar a circulação e espalhar o veneno mais rapidamente;
  • Procure atendimento médico, especialmente se houver muitas ferroadas ou sinais de reação alérgica.

O que pode causar a morte após ataques?

A maioria das pessoas sobrevive a ataques de abelhas, como explica Charles. O risco maior está em reações alérgicas graves, como o choque anafilático, que ocorre em menos de 1% da população.

A boa notícia, segundo Charles, é que está em desenvolvimento um soro antiapílico, semelhante aos usados para picadas de cobras e escorpiões, que poderá tornar o tratamento ainda mais eficaz no futuro.

Se você encontrar um enxame ou presenciar um ataque, acione os bombeiros ou a Defesa Civil da sua cidade. 193 é o telefone de emergência para o Corpo de Bombeiros.

RS já registrou mesmo número de ataques de enxames de abelhas que em 2024

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