sexta-feira, abril 17, 2026
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‘Calculadora de depressão’: pesquisadores gaúchos criam ferramenta online que calcula risco para doenças psiquiátricas; confira

por admin
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Batizada de Calculadora Transdiagnóstica SMFQ, a “calculadora de depressão” precisa que sejam respondidas 13 perguntascomo “eu me senti muito triste ou infeliz?”, “eu não consegui me divertir com absolutamente nada?” e “eu estive muito agitado?” – sobre como quem está usando a ferramenta se sentiu nas últimas duas semanas. Há três opções de resposta: “não é verdade”, “às vezes” e “verdade”.

“A ferramenta tem potencial para democratizar o acesso a métodos diagnósticos de alta complexidade, sobretudo em países de baixa e média renda como o Brasil, onde a detecção de transtornos mentais ainda é limitada”, explica o professor Maurício Hoffmann, pesquisador do Departamento de Neuropsiquiatria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Após responder, basta clicar em “calcular”. O sistema calcula uma pontuação estatística (escore-T) pessoal em relação à média populacional com a prevalência de diagnósticos psiquiátricos.

  • ⁉️ Por exemplo: Se a prevalência para um determinado diagnóstico é de 24%, resultados acima desse acendem um alerta (e são indicados em vermelho no gráfico gerado). A orientação é sempre procurar um profissional da área da saúde.

Esses dados aparecem na aba “probabilidade diagnóstica”, que se refere à chances de ter:

  • Qualquer condição psiquiátrica
  • Qualquer condição internalizante
  • Depressão
  • Ansiedade generalizada
  • Ansiedade social
  • Pânico/agorafobia
  • Estresse pós-traumático

A calculadora também estima a probabilidade da presença de transtornos psiquiátricos. O escore-T é usado para para medir o “nível de sintomas”, que é o nome da segunda aba que fica disponível e se refere a:

  • Qualquer condição e Transtorno de Ansiedade Social (TAS)
  • Qualquer condição internalizante e Transtorno Depressivo Maior (TDM)
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
  • Transtorno do Pânico ou Agorafobia e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)

O resultado vai indicar desde a ausência ou nível muito baixo de sintomas até presença e ou nível muito alto de sintomas.

“A ferramenta otimiza o trabalho clínico, economizando tempo e recursos, e permitindo que os profissionais personalizem o cuidado de acordo com a probabilidade estatística de cada diagnóstico”, conta o professor Hoffmann.

‘Calculadora de depressão’: pesquisadores gaúchos criam ferramenta online que calcula risco de diagnósticos psiquiátricos — Foto: Divulgação

Metodologia

Em agosto, o Journal of Psychiatric Research publicou o estudo que deu origem à calculadora, que foi criada a partir do Questionário Breve de Humor e Sentimentos (Short Mood and Feelings Questionnaire, com sigla SMFQ) por pesquisadores do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM).

A ideia foi da aluna de iniciação científica Gabriele dos Santos Jobim, que cursa medicina na UFSM e é orientada pelo Maurício Hoffmann.

Ela utiliza a Teoria de Resposta ao Item, a mesma usada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): uma abordagem estatística avançada que atribui pesos diferentes a cada pergunta, de acordo com sua dificuldade e poder de discriminação. Isso permite gerar um escore fatorial mais preciso, refletindo nuances emocionais que poderiam passar despercebidas em avaliações convencionais.

Os pesquisadores também definiram pontos de corte flexíveis, o que significa que a probabilidade de diagnóstico aumenta gradualmente conforme o escore sobe — em vez de depender de um limite fixo. Assim, a análise é mais sensível e personalizada, reduzindo o risco de falsos negativos.

Participam quatro universidades brasileiras – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Gabriele dos Santos Jobim e Maurício Hoffmann apresentando a calculada em um evento — Foto: Arquivo pessoal

Diagnóstico clínico continua sendo necessário

Identificar precocemente sinais de depressão, ansiedade e outros transtornos pode ser mais fácil com o auxílio da tecnologia, mas, mesmo com esse apoio, o diagnóstico de depressão continua sendo clínico, baseado na escuta e no histórico do paciente. A calculadora pode servir como um instrumento complementar, mas o olhar humano, empático e treinado, permanece fundamental.

Os sintomas da depressão são amplos e variam conforme a gravidade e as condições associadas. Entre os mais comuns, estão tristeza prolongada, apatia, culpa, isolamento, insônia, fadiga e perda de interesse por atividades antes prazerosas. Também podem ocorrer alterações de apetite, dores físicas sem causa aparente e pensamentos de desesperança ou morte. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para buscar ajuda.

Psiquiatras, psicólogos, médicos de família e clínicos gerais podem realizar a avaliação inicial e orientar o tratamento adequado.

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