De acordo com o documento, as irmãs fizeram relatos espontâneos de que a genitora também utilizaria a violência física como forma de disciplina.
“As irmãs realizaram relatos espontâneos de agressões praticadas pela genitora, informando que esta também fazia uso de violência física como forma de disciplina, mencionando, inclusive, que [nome da criança] havia sido agredida pela mãe”, diz o documento.
O relatório também diz que um outro irmão resistia em permitir a avaliação do próprio corpo e orientava as irmãs para que não exibissem lesões nem relatassem os fatos aos profissionais.
Entenda o caso
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.
O menino estava internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre e morreu na noite de quarta-feira (8).
O próprio agressor levou o menino até o hospital de Viamão no domingo. Devido à gravidade dos ferimentos, o menino foi transferido para a capital.
Ao constatar as múltiplas lesões, a equipe médica acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O norte-americano foi preso em flagrante no hospital. Na segunda-feira (6), durante audiência de custódia, a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.
Em nota, a defesa de Mayanna diz que ela “é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente”. Leia o posicionamento completo abaixo.
Ela tem pais norte-americanos e nasceu no Japão. Portanto, tem dupla cidadania. Segundo as autoridades, a família vive no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses.
Mãe de menino de três anos morto após ser espancado pelo pai é presa por omissão, afirma polícia — Foto: Reprodução/Redes sociais
O que diz a mulher
“NOTA TÉCNICA DA MÃE DE OLIVER
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos.
Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado.
A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.
Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações.
Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415
Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017
André von Berg – OAB/RS 44.063″
Oliver Golden Grayson tinha 3 anos — Foto: Arquivo pessoal