Mais do que um simples item no churrasco, a linguiça campeira é parte da identidade de Alegrete, na Fronteira Oeste. O prato, que nasceu da necessidade de conservar carne, hoje é uma tradição que movimenta o comércio, inspira novas receitas e, principalmente, serve como pretexto para reunir amigos e família.
A origem do embutido está na história da própria região:
“A linguiça é um dos pratos mais comuns que o gaúcho produz. Ela surgiu para que a gente conseguisse conservar o alimento por mais tempo, já que tínhamos uma abundância de carnes aqui”, explica o produtor rural Luiz Plastina Gomes.
Com o tempo, o que era para ser apenas um método de conservação, tornou-se presença certa na mesa. A praticidade do produto, que já vem temperado, conquistou os moradores. “O alegretense chega aqui e em primeiro lugar pede a linguiça mista, tradicional. Ela combina com vários pratos, dá pra servir com arroz, dá pra servir fritinha”, conta a comerciante Evoni Ferreira Vale.
O processo de fabricação é cheio de etapas: da escolha das carnes, passando pela moagem e pela adição de temperos, onde cada produtor coloca um toque especial. Depois de embutida, a linguiça é embalada a vácuo.
“É diferente o sabor, não tem igual, porque é uma linguiça frescal, não tem conservantes, então ela é cem por cento tradicional, bem campeira“, afirma João Victor Ferreira, sócio-proprietário de um estabelecimento local.
A alta procura — que chega de 300 a 500 quilos por semana, apenas no balcão de um dos produtores — também incentiva a criação de novas versões, como a de costela, feita 100% com carne bovina.
Mais do que o sabor, o que mantém a tradição viva é o papel social do prato. “O legal do churrasco é o motivo para a gente conversar, para a gente dar boas risadas, ficar mais próximo da família, reunir os amigos. Esse eu diria que é o ponto alto do churrasco aqui”, destaca o radialista Giovane Moraes.
A tradição é tão forte que o município criou o Festival Estadual da Linguiça Campeira. O evento começou na sexta-feira (10) e vai até domingo (12), no Parque de Exposições Dr. Lauro Dornelles.
Confira 40 tipos de linguiça disponíveis no festival
- Frango e queijo
- Costela bovina
- Mista cortada à faca
- Pimenta biquinho
- Tradicional com queijo
- Tomate seco
- Prime picante
- Tradicional picante
- Charque
- Ovelha parrillera
- Queijo gorgonzola
- Abacaxi
- Suína parrillera
- Cuiabana
- Goiabada e queijo
- Bacon e calabresa
- Figo e provolone
- Tradicional
- Azeitona
- Frango
- Rúcula e queijo
- Pimentão
- Cebola caramelizada
- Quatro queijos
- Costela com queijo coalho
- Frango, bacon e queijo
- Mista filé picada à faca
- Mista com chimichurri
- Mista figo e queijo
- Bacon com cheddar
- Coração e queijo
- Peixe e camarão
- Carne suína com damasco e gorgonzola
- Frango com vegetais e queijo
- Doce de leite e queijo
- Suína com queijo e geleia de pimenta
- Costela com pimentão
- Entreveiro
- Bovina
- Costela
Linguiça campeira: tradição virou identidade gastronômica de Alegrete
Linguiça campeira: tradição que virou identidade gastronômica de Alegrete. — Foto: Reprodução/RBS TV