Delegacia da Mulher fará buscas por 307 vítimas que desistiram de registrar ocorrência em Porto Alegre

Delegacia da Mulher fará buscas por 307 vítimas que desistiram de registrar ocorrência em Porto Alegre

A chamada busca ativa é uma resposta imediata a falhas no acolhimento, identificadas em um relatório interno da polícia.

A diretora do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis, delegada Tatiana Bastos, explica que a ideia é retomar o contato com essas mulheres para entender os motivos da desistência e oferecer, ainda assim, a proteção prevista em lei.

“A gente pode fazer esse atendimento de várias formas, tanto dizendo a elas que venham à delegacia para um atendimento, ou oportunizando que a gente faça um atendimento já online para essas mulheres, se já não efetuaram a ocorrência nessa data posterior à desistência”, explica a delegada.

Segundo Tatiana, “a desistência faz parte do ciclo da violência conjugal”. Muitas mulheres desistem de denunciar não apenas antes do processo, devido à demora ou outros motivos, mas também durante a ocorrência dos fatos ou até mesmo após a conclusão da denúncia.

Em diversas situações, elas se recusam a assinar documentos ou, quando são abordadas em hospitais, por exemplo, em casos de lesões graves ou tentativas de feminicídio, negam que o agressor seja seu companheiro ou parceiro íntimo.

Medidas emergenciais

Violência contra a mulher — Foto: Reprodução/ RBS TV

A mobilização começou depois de uma apuração do Grupo de Investigação da RBS (GDI), pela reportagem de GZH, que revelou os problemas na unidade. Após, houve a troca no comando do Departamento e o anúncio de um plano de reestruturação com 15 medidas emergenciais.

Entre essas medidas, além da busca ativa, está o reforço no efetivo da delegacia nos plantões. Cada equipe passou a contar com seis servidores — um a mais por plantão — e foi criado um terminal exclusivo para registros simples, como forma de desafogar os atendimentos mais complexos, como os de flagrante.

Segundo a delegada, em três dias com a nova estrutura, o número de desistências caiu para zero.

Como será feita a busca

A busca ativa será feita com base nos formulários preenchidos pelas próprias vítimas no momento em que decidiram deixar a delegacia sem seguir com o registro.

“A gente acredita que, ainda que haja alguma inconsistência, a gente vai conseguir ou pelo nome, ou pela data de nascimento, associada com o nome da mãe, que é outro dado importante, ou pelo documento, a gente consiga localizá-las”, diz Tatiana. “A gente imagina, até porque os dados são bem completos, que a gente vai conseguir localizá-las”, comenta.

O mapeamento deve ser concluído em até 30 dias. Cada caso será documentado com o uso de formulários padronizados, permitindo que os dados sejam tabulados e utilizados para traçar novas estratégias de prevenção e acolhimento.

Para a delegada, a principal função da iniciativa é romper o silêncio que ainda cerca a maioria dos casos graves.

“A maioria dos feminicídios têm sido cometidos com mulheres que nunca registraram ocorrência. Então, mulheres que estão morrendo caladas”, revela a delegada.

O novo protocolo prevê que o atendimento às vítimas poderá ser feito presencialmente, com hora marcada, ou de forma online, para casos em que a mulher ainda se sinta ameaçada ou não consiga se deslocar até a delegacia.

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