Deslizamentos de terra na enchente de 2024 no RS foram ‘maior evento de movimentos de massa’ da história no Brasil, aponta estudo

Levantamento realizado por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também mostra que cicatrizes formadas no solo mantêm elevado o risco de desastres, mesmo diante de chuvas de menor intensidade.


  • Deslizamentos de terra que aconteceram durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, entre 30 de abril e 6 de maio, foram “o maior evento de movimentos de massa em magnitude já registrado no Brasil”, concluiu levantamento.

  • Estudo aponta que esses movimentos de massa, que deslocaram milhões de toneladas de sedimentos dos morros, aumentaram os riscos de inundações e novos deslizamentos no RS, mesmo com chuvas de menor intensidade.

  • Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores catástrofes naturais da história. As enchentes devastadoras afetaram 478 das 497 cidades do estado, causando alagamentos, inundações e deslizamentos de terra.

  • Porto Alegre, Canoas, Eldorado do Sul e Roca Sales estão entre as cidades mais atingidas, com milhares de moradores deslocados e danos materiais significativos, que impactaram profundamente a vida de milhões de gaúchos.

Cemaden afirma que deslizamentos de terra em 2024 deixaram cicatrizes nos morros próximos à Ponte Ernesto Dornelles, sobre o Rio das Antas, entre os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis, por exemplo — Foto: Harideva Egas/Cemaden

Os deslizamentos de terra que aconteceram durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, entre 30 de abril e 6 de maio, foram “o maior evento de movimentos de massa em magnitude já registrado no Brasil”, concluiu um levantamento feito por especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Além disso, o estudo aponta que esses movimentos de massa, que deslocaram milhões de toneladas de sedimentos dos morros, aumentaram os riscos de inundações e novos deslizamentos no RS, mesmo com chuvas de menor intensidade.

“As áreas que sofreram deslizamentos permanecem vulneráveis à chuva e à erosão até que a vegetação volte a cobri-las. Outras chuvas intensas podem provocar novos deslizamentos nas áreas já impactadas”, explica o geógrafo Harideva Egas, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)

Outros dados levantados pelo estudo da Cemaden:

  • O RS teve 15.087 deslizamentos entre 30 de abril e 6 de maio de 2024, que afetaram 130 municípios;
  • Uma área de 63 mil km², em 130 municípios, foi afetada por deslizamentos, o que gerou cicatrizes de até 2 km de comprimento;
  • Pelo menos 35% do volume de sedimentos movimentados pelos deslizamentos (cerca de 10 milhões de toneladas) atingiu rios, principalmente próximos às nascentes e cânions da Serra do RS;

Enchente de 2024

Porto Alegre, Canoas, Eldorado do Sul e Roca Sales estão entre as cidades mais atingidas, com milhares de moradores deslocados e danos materiais significativos, que impactaram profundamente a vida de milhões de gaúchos.

O infográfico abaixo detalha os dados mais relevantes sobre a enchente de 2024 no Rio Grande do Sul e mostra a magnitude da catástrofe e dos esforços de recuperação.

Números da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul — Foto: Arte/g1

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