Família Aguiar desaparecida há 80 dias: VÍDEO mostra pai entrando na casa de filha minutos antes de sumiço

Família Aguiar desaparecida há 80 dias: VÍDEO mostra pai entrando na casa de filha minutos antes de sumiço

Entre as imagens analisadas e divulgadas pela Polícia Civil em coletiva nesta sexta-feira (17), um vídeo registra Isail em frente à casa da filha poucas horas antes de desaparecer. Câmeras de segurança mostram o pai de Silvana chegando à residência no domingo (25), por volta das 16h28, acompanhado de Cristiano.

O vídeo registra o momento em que os dois descem do carro e se dirigem inicialmente à caixa de luz localizada junto à grade frontal do imóvel. Essa movimentação, segundo a investigação, estaria ligada ao enredo criado para atrair Isail até a casa, sob o pretexto de um suposto problema elétrico na residência.

Família Aguiar desaparecida: pai entrou na casa de filha minutos antes de sumiço — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Ainda conforme a Polícia Civil, após alguns minutos na parte frontal da casa, Isail e Cristiano seguem para os fundos do imóvel, por onde era feito o acesso à residência. Cerca de 20 minutos depois, apenas Cristiano é visto deixando o local.

Desde então, Isail não voltou a ser visto. A polícia afirma que esse é o último registro em vídeo do pai de Silvana com vida. Perícias realizadas na casa encontraram vestígios de sangue de Isail no local, o que, segundo os investigadores, reforça a conclusão de que ele teria sido morto dentro da residência.

Na coletiva, os delegados destacaram que a análise das imagens, aliada a dados de geolocalização e outras provas técnicas, foi determinante para definir o momento do desaparecimento de Isail e sustentar o indiciamento pelos crimes, mesmo sem a localização dos corpos.

Indiciamentos

Família Aguiar: PM e outros 5 são indiciados pela Polícia Civil

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava o desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, nesta sexta-feira (17). O policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito, foi indiciado por feminicídio, dois homicídios triplamente qualificados e ocultação de cadáver.

Além disso, o PM também foi indiciado por abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. Para a polícia, Silvana de Aguiar foi morta na própria casa e seu celular foi usado para atrair seus pais. Apesar das buscas, os corpos não foram localizados.

Outras cinco pessoas também foram indiciadas: a atual esposa do PM, por fraude processual, ocultação de cadáver, furto qualificado e associação criminosa; o irmão dele, por fraude processual, ocultação de cadáver e associação criminosa; a mãe e a sogra do PM por fraude processual e associação criminosa; e um amigo do PM, por falso testemunho, fraude processual e associação criminosa.

A polícia não divulgou a identidade do irmão do PM. No entanto, a reportagem apurou que se trata de Wagner Domingues Francisco. Em nota, a defesa de Wagner afirma que está à disposição das autoridades e que “as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas”. Leia a nota completa abaixo. O espaço está aberto para a defesa dos outros indiciados.

O inquérito

A polícia aponta que a motivação do crime seria a disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras ligadas ao patrimônio da família Aguiar.

De acordo com a polícia, o inquérito tem 20 mil páginas entre depoimentos, diligências, relatórios, extrações e quebras de sigilo, que resultaram em mais de 10TB de documentos. Foram 16 celulares apreendidos, 17 nuvens de documentos (e-mails), cinco DVRs, 13 pendrives, cinco computadores e quatro HDs.

Além disso, houve cinco prisões, 14 mandados de busca e apreensão e 37 quebras de sigilo. Nas oitivas, foram interrogados 6 suspeitos, 34 declarações de testemunhas e uma escuta sem dano.

“Eu sei que se criou esse mito de que sem a presença dos corpos não há materialidade, mas, na verdade, a gente já tem um vasto conteúdo que aponta no sentido de que a materialidade pode ser provada de forma indireta”, afirmou o delegado Anderson Spier. “A prova disso, inclusive, é a decretação da prisão preventiva do autor, porque a prisão preventiva imprescinde da materialidade.”

Polícia indicia PM por desaparecimento, morte e ocultação de corpos da ex-mulher e dos pais dela no RS — Foto: Reprodução/RBS TV

O que dizem as defesas

Cristiano Domingues Francisco: “A Defesa de Cristiano aguarda o encaminhamento do inquérito, sendo que, pela finalização das investigações, deverá ter acesso amplo e irrestrito a todos os procedimentos cautelares que se encontram em segredo de justiça, possibilitando um posicionamento mais assertivo.”

Wagner Domingues Francisco: “A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO, com o senso de responsabilidade que o momento exige, vem a público manifestar-se acerca do Inquérito Policial que apura as circunstâncias envolvendo o desaparecimento da família Aguiar, no município de Cachoeirinha/RS.

A Defesa tomou conhecimento, exclusivamente por intermédio da mídia e de coletiva de imprensa, da existência de 37 medidas cautelares, além de buscas, apreensões e indiciamentos, sem que lhe tenha sido assegurado, até o presente momento, acesso aos respectivos expedientes, circunstância que impede o pleno conhecimento das teses investigativas.

Importa destacar que as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas, ainda não submetidas ao contraditório, sendo o inquérito policial, por sua natureza, procedimento de caráter unilateral.

Reitera-se, por fim, que WAGNER DOMINGUES FRANCISCO sempre esteve, e assim permanecerá, à inteira disposição das autoridades. A Defesa aguarda o acesso integral aos elementos de prova para manifestação oportuna e aprofundada, confiante de que o devido processo legal conduzirá ao pleno esclarecimento dos fatos, com a consequente demonstração de sua inocência e a prevalência da Justiça.”

Relembre o caso

O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação

  • 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
  • 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.
  • 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias.
  • 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores.
  • 24 e 25 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses.
  • 9 de abril: Justiça decreta a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco.

Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS — Foto: Arte/g1

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