quarta-feira, junho 17, 2026
Casa Região Família relata medo após condenado por matar avô fugir de instituto psiquiátrico no RS: ‘Até hoje não sei o que foi feito’

Família relata medo após condenado por matar avô fugir de instituto psiquiátrico no RS: ‘Até hoje não sei o que foi feito’

por admin
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Segundo a Polícia Penal, a fuga aconteceu na última terça-feira (9). O mandado de recaptura foi expedido no dia seguinte, mas até a última atualização desta reportagem, não havia sido encontrado.

O homem foi condenado em agosto do ano passado pelo crime cometido em Cachoeirinha no ano de 2022. O avô, Rubem Affonso Heger, tinha 85 anos, enquanto a companheira dele, Marlene dos Passos Stafford Heger, tinha 53. Os corpos das vítimas nunca foram localizados. Relembre o caso abaixo.

Na semana passada, a Justiça revogou a internação dele no instituto após um pedido de habeas corpus, determinando a transferência para um presídio comum.

Parentes receberam a confirmação da fuga com apreensão. “Eu, com certeza, tenho medo, medo por mim e pela minha família”, relata Ruben Silveira Heger, professor de luta e neto de Ruben.

“Eles fizeram uma barbaridade, uma crueldade nesta casa que a gente tá aqui hoje, o último lugar em que meu vô estava com a Marlene, onde abriram o portão da casa para fazer uma refeição e até hoje não tem o resultado final do que foi feito com eles.”

O neto relata que, após o condenação, a família havia ficado mais conformada. “O Andrew tinha sido condenado por todos os crimes e agravantes do que aconteceu, mesmo a gente não tendo o descanso de ter um velório e um corpo”, diz.

A defesa de Andrew informou da “evasão do estabelecimento prisional”, mas que “não dispõe de informações adicionais acerca das circunstâncias dos fatos” e que “a atuação da defesa está e permanecerá restrita ao exercício das garantias constitucionais e legais asseguradas ao acusado”. (Veja nota abaixo)

Fuga é apurada

A Polícia Penal informa que “as circunstâncias da fuga estão sendo apuradas pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal. As forças de segurança iniciaram imediatamente as ações para recaptura do indivíduo”.

O advogado de Andrew declarou ter sido pego de surpresa pelo episódio. A Polícia Civil confirmou que investiga o caso.

De acordo com o mandado de recaptura da 1ª Vara Criminal, o foragido ainda precisa cumprir 52 anos, quatro meses e 10 dias de pena.

O neto Andrew Heger Ribas; O avô, Rubem Affonso Heger e a companheira dele Marlene dos Passos Stafford Heger. — Foto: Arquivo pessoal; Reprodução

O que diz a defesa

“A defesa técnica de Andrew Heger Ribas informa que tomou conhecimento das notícias relativas à evasão do estabelecimento prisional por intermédio dos canais oficiais e da cobertura veiculada pela imprensa.

Neste momento, a defesa não dispõe de informações adicionais acerca das circunstâncias dos fatos, tampouco mantém contato com o custodiado que permita qualquer manifestação mais aprofundada sobre o ocorrido.

Cumpre destacar que a atuação da defesa está e permanecerá restrita ao exercício das garantias constitucionais e legais asseguradas ao acusado, observando-se rigorosamente os limites éticos e profissionais inerentes à advocacia.

Por respeito às instituições envolvidas, ao regular andamento dos procedimentos administrativos e judiciais eventualmente instaurados, bem como em razão da escassez de informações oficialmente confirmadas, a defesa não emitirá juízo de valor acerca dos fatos neste momento.

Tão logo haja elementos concretos que justifiquem manifestação complementar, ela será realizada pelos canais adequados.”

Entenda o caso e a delação

Casal desaparecido em Cachoeirinha em 2022 teria sido queimado numa churrasqueira

Casal desaparecido em Cachoeirinha em 2022 teria sido queimado numa churrasqueira

O crime teria acontecido em 27 de fevereiro de 2022. Conforme a Polícia Civil, a mãe do suspeito, Cláudia de Almeida Heger, e Andrew foram de Canoas, onde viviam, à cidade vizinha de Cachoeirinha para almoçar com Rubem e Marlene.

Na época, em depoimento à polícia, Cláudia contou que teria levado o pai e a companheira dele para passar alguns dias em Canoas. Ela disse ainda que saiu de casa para ir até uma unidade de saúde e que, ao voltar, não teria encontrado mais o casal.

Em acordo de delação premiada, Andrew contou como a dinâmica do crime. Ele disse ter visto o avô e a companheira adormecendo no sofá da casa em Cachoeirinha e que os corpos teriam sido retirados do local por Cláudia.

Na fase de investigações, ainda em 2022, a polícia informou que a ré colocou colchões nas portas da garagem da casa de Cachoeirinha a fim de bloquear a visão de quem passava pela rua. A ação foi registrada por câmeras de segurança.

Em maio de 2022, quase três meses após o desaparecimento, Claudia e Andrew foram presos e indiciados pela polícia.

A mãe do suspeito também era ré por matar o pai e a madrasta, mas ela morreu em março de 2025 por complicações relacionadas a comorbidades, incluindo diabetes, obesidade, hipertensão arterial e infecção do trato urinário.

Rubem deixou dois filhos, além de Cláudia, enquanto Marlene tinha outros dois filhos de outro relacionamento.

O júri decidiu que o então réu é culpado por dois homicídios qualificados, além de ocultação de cadáver, fraude processual, maus-tratos a animais e resistência à prisão. O cumprimento será em regime fechado. Cabe recurso da decisão.

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