Índice
⚠️A investigação começou após moradores do RS procurarem a Polícia devido a perdas milionárias. Um homem depositou R$ 1,8 milhão no falso investimento. Outro chegou a perder R$ 4 milhões, diz a polícia.
De acordo com o delegado Juliano Ferreira, responsável pela investigação, os suspeitos do golpe captavam clientes pela internet e apresentavam uma falsa plataforma de investimento, com site e aplicativo para celular. Nesse sistema, as vítimas receberiam a promessa de ganhos acima da média, diz a Polícia.
Em um dos casos, um morador do Rio Grande do Sul depositou cerca de R$ 4 milhões na conta de um dos presos. Há casos investigados, também no RS, de pessoas que investiram R$ 1,5 milhão, R$ 1,8 milhão e R$ 2,5 milhões.
“Ainda não temos como precisar o número de vítimas, mas temos certeza que o golpe era aplicado em todo o Brasil, não só no Rio Grande do Sul. Estamos sendo procurados diariamente por vítimas”, diz o delegado.
Segundo a Polícia Civil, o braço operacional da suposta quadrilha fica em Natal, no Rio Grande do Norte. De lá, teriam criado empresas de fachada, contas fantasmas e entrado em contato com possíveis vítimas.
A promessa, segundo a polícia, é de que para ter ganhos maiores, seria necessário deixar o dinheiro na plataforma por mais tempo. Quando a vítima insistia em retirar o dinheiro antes, no entanto, os suspeitos passavam a dificultar o contato.
Falsa empresa
A falsa empresa era apresentada como um corretora internacional de investimentos e dizia fazer parte de um dos maiores bancos de investimentos no mundo. Segundo a polícia, o golpe contava ainda com um assessor, que entrava em contato com as vítimas por meio de ligações e mensagens no WhatsApp, inclusive com assinatura de um falso contrato em inglês.
“Eles começam a apresentar falsos investimentos ainda mais lucrativos dentro da plataforma. Quando chega o momento de reaver os valores, a vítima dizia que queria tirar os rendimentos e não conseguia mais contato. Eles começam a enrolar. A plataforma não tem um canal para sacar o valor, depende do intermediário, e aí ele para de responder. É quando as vítimas costumam perceber que caíram no golpe”, conta o delegado.
Operação
Em 22 de maio, foram cumpridas 12 ordens judiciais, entre mandados de prisão, de busca e apreensão e indisponibilidade de bens, todas em Natal (RN). Três pessoas foram presas.
O caso que iniciou a investigação foi o de um homem de 71 anos, morador de Porto Alegre, que investiu R$ 1,8 milhão na plataforma falsa. Segundo a apuração, o falso lucro prometido pela plataforma neste caso chegaria a R$ 5 milhões.
“Quando as vítimas vêm registrar ocorrência, elas dizem que perderam R$ 5, 6, 7 milhões, que é o valor de lucro que aparece na plataforma. Eles acham que não estão conseguindo sacar o dinheiro, mas ainda não percebem que é tudo golpe”, diz o delegado.
A polícia agora investiga outras denúncias de falsos investimentos e tenta encontrar ligação desses casos com os suspeitos presos no Rio Grande do Norte. “Não tenho dúvida que faremos a fase 2 desta operação”, afirma o delegado.
Três pessoas foram presas no Rio Grande do Norte suspeitas de aplicar golpe do falso investimento no RS — Foto: Divulgação/Polícia Civil