Investigação de incêndio em parque temático de Gramado aponta furto de equipamento e prejuízo de R$ 25 milhões

Investigação de incêndio em parque temático de Gramado aponta furto de equipamento e prejuízo de R$ 25 milhões

“Houve o indiciamento de três pessoas vinculadas à instalação do sistema de refrigeração. O iniciamento por furto qualificado de um equipamento relacionado ao controle desses equipamentos de refrigeração”, explica o delegado regional de Gramado, Gustavo Barcellos. “E também houve o indiciamento de um terceiro indivíduo por crimes de falsidade e incêndio culposo (quando não há intenção)”, completa

O equipamento furtado, chamado “sitrad”, é considerado a caixa-preta das máquinas de refrigeração, e que poderia apontar como iniciaram as chamas. Ele poderia ter auxiliado no esclarecimento da causa do sinistro, que não pôde ser apontada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).

A Dufrio nega as acusações e diz que o “indiciamento é precoce e equivocado”. Em nota, a empresa diz que “seus colaboradores e seu fornecedor agiram de acordo com a orientação dos proprietários do empreendimento e com a autorização dos Bombeiros para a retirada do Sitrad, com o objetivo de preservar informações para elucidar o caso”. (Leia abaixo na íntegra).

O empresário Eduardo Kny, presidente da Hector Studios, empresa responsável pelo Castelo de Gelo afirma que há “elementos documentados que indicam que o acesso ao local para a retirada do dispositivo ocorreu mediante identificação indevida de pessoas como se fossem integrantes da nossa equipe”.

Prejuízo de R$ 25 milhões

Um investigação também foi feita por uma empresa privada, contratada pela Hector Studios, e apontou que os três indiciados teriam afirmado serem funcionários do local para ter acesso à câmara fria um dia após o incêndio.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (26), em Porto Alegre, Kny falou sobre o prejuízo financeiro, que foi de pelo menos R$ 25 milhões. O local não tinha seguro.

“A polícia já concluiu o inquérito e mostra que os prestadores da empresa de refrigeração retiraram esse equipamento e só o devolveram depois de quase dois meses, e após intimação policial. Queremos entender o motivo, por que retiraram o equipamento que poderia explicar o incêndio?”, questiona o empresário.

Da esqueda para a direita, o advogado Alexandre Curvelo, Eduardo Kny, sócio-proprietário da Hector Studios, e o advogado Lourenço Mayer Neto — Foto: Tiago Costa/Divulgação

A investigação, realizada pela delegada Fernanda Aranha, titular da Delegacia de Gramado, apontou que as chamas começaram na câmara fria, no segundo andar do edifício. O inquérito foi concluída no dia 14 de janeiro e remetido ao judiciário.

Os nomes dos indiciados não foram divulgados pelas autoridades.

Incêndio atingiu parque temático em Gramado — Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

O empreendimento

O parque terá uma estrutura de 1,2 mil metros quadrados, incluindo o salão principal, onde as temperaturas devem chegar a -15°C. A atração é inspirada na história de “A Bela e a Fera” e seria inaugurada em novembro de 2025. Não há nova previsão de inauguração.

O que diz a Dufrio

“A Dufrio acompanha e tem interesse no esclarecimento das causas do incêndio do Castelo de Gelo em Gramado. A empresa entende que seus colaboradores e seu fornecedor agiram de acordo com a orientação dos proprietários do empreendimento e com a autorização dos Bombeiros para a retirada do Sitrad, com o objetivo de preservar informações para elucidar o caso.

Reiteramos que o Sitrad tem identificação única e é inviolável e as informações nele contidas são fidedignas e asseguradas por laudo técnico do fabricante. O aparelho foi entregue à autoridade policial assim que solicitado e está sendo analisado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). Em razão disso e de outras questões importantes ainda pendentes e que não constam no relatório policial, acreditamos que o indiciamento é precoce e equivocado.

A Dufrio é uma empresa sólida com 28 anos de mercado, que atua com base em critérios rigorosos de qualidade e segurança, e colabora plenamente com as autoridades. A empresa apoia seus colaboradores e seu fornecedor terceirizado, confia no processo legal e acredita que o exame técnico dos fatos acarretará na desconstituição do ato de indiciamento pelo Ministério Público.”

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