Os outros quatro filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional depois do caso e, durante os atendimentos, os profissionais perceberam “marcas de agressão” nas crianças. No dia 6 de julho, um dia após Oliver ser internado no hospital, os irmãos foram levados ao Departamento Médico-Legal para exames periciais.
Segundo o relatório, a perícia constatou “diversas lesões e marcas decorrentes de agressões físicas”, o que, conforme o documento, indicava um contexto de violência contínua no ambiente familiar. O texto também afirma que uma das crianças apresentava diversas marcas pelo corpo, inclusive lesões compatíveis com mordidas.
Ainda conforme o documento, nesse momento, o irmão mais velho afirmou espontaneamente:
“Aquilo ali é a mordida que o pai dá. Ele morde a gente.”
O relatório registra que a fala ocorreu “sem qualquer induzimento por parte dos profissionais presentes”. O texto enviado à Justiça também descreve que esse mesmo irmão demonstrava resistência em permitir a avaliação do próprio corpo e tentava impedir as outras crianças de exibirem lesões ou relatarem fatos aos profissionais.
O relatório aponta ainda que o menino demonstrava “intenso temor em relação ao genitor” e reproduzia comportamentos de controle e intimidação semelhantes aos atribuídos ao pai. O documento afirma que ele dizia reiteradamente que “só fazia o que ela mandava”, em referência à mãe.
No mesmo relatório, o Conselho Tutelar afirma que passou a acompanhar a família em novembro de 2025 e que recebeu informação de que as crianças já haviam ficado acolhidas institucionalmente por cerca de quatro meses em Palmitos, em Santa Catarina, por situação de violência. O documento registra que, à época, Oliver Golden Grayson, então com aproximadamente um ano e meio, teria sido vítima de agressões físicas.
Entenda o caso
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.
O menino estava internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre e morreu na noite de quarta-feira (8).
O próprio agressor levou o menino até o hospital de Viamão no domingo. Devido à gravidade dos ferimentos, o menino foi transferido para a capital.
Ao constatar as múltiplas lesões, a equipe médica acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O norte-americano foi preso em flagrante no hospital. Na segunda-feira (6), durante audiência de custódia, a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.
Nesta quinta-feira (9), Mayanna Angelina Rodgers, mãe de Oliver também foi presa preventivamente. De acordo com a polícia, ela foi presa por omissão. Em nota, a defesa de Mayanna diz que ela “é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente”. A mulher tem pais norte-americanos e nasceu no Japão. Portanto, tem dupla cidadania. Leia o posicionamento completo abaixo.
Segundo as autoridades, a família vive no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses.
Mãe de menino de três anos morto após ser espancado pelo pai é presa por omissão, afirma polícia — Foto: Reprodução/Redes sociais
O que diz a mulher
“NOTA TÉCNICA DA MÃE DE OLIVER
A defesa de Mayanna Angelina Rodgers está colaborando com as autoridades, permanecendo a disposição da justiça para esclarecimentos dos fatos.
Consigna que a constituinte é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente, circunstâncias estas que merecem apuração cuidadosa e técnica, sem qualquer julgamento antecipado.
A defesa confia no devido processo legal, contraditório e ampla defesa, nos termos da Constituição Federal, reafirmando que apenas a ampla instrução processual permitirá a correta apuração dos fatos.
Por respeito a memória da criança e ao sigilo das investigações não serão fornecidas outras informações.
Isabel Cochlar – OAB/RS 71.415
Juliana Braun Martins OAB/RS 103.017
André von Berg – OAB/RS 44.063″
Oliver Golden Grayson tinha 3 anos — Foto: Arquivo pessoal