Segundo especialistas, uma estrutura reforçada do veículo, conhecida como “célula de sobrevivência“, foi decisiva para evitar a compressão total do carro. O tipo de carga, leve e porosa, também contribuiu para a formação desse espaço vital. (entenda, abaixo, como é a estrutura)
Na quarta-feira (8), Eduarda deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nora Teixeira, onde permanece estável e deverá ter alta nos próximos dias para a Unidade de Internação do Hospital. Segundo o noivo, Gabriel Zanettin dos Santos, uma alteração em uma enzima detectada nos exames de sangue demanda acompanhamento e hidratação para proteger os rins.
Externamente, o carro em que ela estava ficou completamente destruído. Mesmo assim, Eduarda permaneceu consciente e conseguiu acionar os pais e o noivo por telefone. Gabriel, que foi até o local, relata o momento como “uma cena horrível”.
“A gente achou o carro pelo retrovisor no meio da serragem. Tentei tirar o máximo que dava até os profissionais chegarem”, relembra o noivo.
Eduarda Corrêa, 23 anos, ficou presa em carro após ter carga de serragem soterrar veículo em Porto Alegre — Foto: Maria Eduarda Ely/RBS TV e Arquivo Pessoal
O trabalho envolveu equipes do Samu, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros. A jovem não teve fraturas expostas nem perfurações.
O motorista da carreta teve ferimentos leves e foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro de Canoas.
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Mulher ficou uma hora soterrada dentro de carro — Foto: Ian Tâmbara/Grupo RBS
A chamada “célula de sobrevivência” é uma estrutura formada por colunas e portas com proteção reforçada. Foi esta condição que absorveu o impacto e evitou a compressão total do veículo, conforme explica Ricardo Hegele, médico especialista em medicina do tráfego e presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego no Rio Grande do Sul (Abramet-RS):
“Essa sobrevivência da motorista se deu por umas circunstâncias especiais. O tombamento ocorreu sobre um veículo com habitáculo de proteção. Essa célula é reforçada e protege os ocupantes em casos de capotamento”, diz.
Os vidros fechados também cooperaram a sobrevivência da jovem ao criarem uma bolha de ar, o que permitiu que a motorista continuasse respirando. Além disso, o fato de a carga ser de serragem, um material menos denso, também contribuiu.
“É um material leve e poroso, que não adentrou totalmente no veículo. Isso ajudou a formar uma bolha de ar, que ajudou a mantê-la viva. E um veículo com os vidros todos fechados, com essa bolha de ar que permanece dentro, pode manter uma pessoa viva por 30 a 60 minutos em média”, completou Hegele.
Infográfico: veja como funciona a ‘cápsula de sobrevivência’ em carros — Foto: Arte g1
Segurança veicular
Especialistas apontam que a posição do carro após o impacto e o uso do cinto de segurança foram determinantes. Detalhes milimétricos, como o ponto exato da colisão e a estrutura do veículo, podem definir a sobrevivência em situações como a do acidente em Porto Alegre.
Em colisões fortes, o corpo humano sofre desaceleração violenta. Sistemas como airbag e cinto de segurança atuam para controlar esse movimento. Carros mais modernos contam com segurança ativa: em desacelerações bruscas, cintos e portas são travados e os vidros fechados automaticamente.
“A parte onde estão motorista e carona é uma cápsula de segurança. O motor é projetado para se soltar em batidas fortes, evitando que entre no habitáculo”, explicou o engenheiro mecânico Anderson de Paulo.
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