Índice
O humorista foi responsabilizado por promover rifas sem autorização legal. De acordo com a sentença, ele simulava sorteios de prêmios de alto valor para atrair compradores de rifas. Um dos casos citados envolve um Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil.
O promotor de Justiça Flávio Duarte, da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, afirma que o influenciador usou o telefone de uma pessoa que trabalhava com ele para simular a conversa com a ganhadora, que ele chamou de “Silmara Noeli” em um vídeo publicado nas redes sociais.
“Ele tinha pleno controle das rifas que fazia e essas rifas não tinham data específica para o sorteio. Então, ele poderia perfeitamente ver um determinado sorteio cujo número não foi contemplado por ninguém, poderia adquirir os números ele mesmo até ele mesmo adquirir o número vencedor”, diz o promotor.
Dessa forma, ele não precisou entregar o carro. “Ele simulou uma ligação para uma determinada pessoa que ele mesmo criou como se ela fosse a vencedora”, afirma o promotor.
No total, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de uma pena adicional de 1 ano e 15 dias por promover uma loteria ilegal. Já Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro.
As penas incluem ainda pagamento de dias-multa, calculados com base no salário mínimo vigente à época dos fatos.
O g1 entrou em contato com a advogada Camila Kersch, responsável pela defesa de Dilson, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Também foi questionado se a esposa é representada pela mesma defesa.
O juiz destacou que a prática não foi isolada, mas sim uma atividade estruturada e reiterada, com grande alcance e movimentação superior a R$ 2,5 milhões. Na decisão, o magistrado também afastou a alegação de desconhecimento da ilegalidade, afirmando que, pelo volume financeiro e pela natureza da atividade, havia dever de o influenciador se informar sobre a legalidade das ações.
Para a Justiça, ficaram comprovados o prejuízo das vítimas, a obtenção de vantagem ilícita e a indução ao erro, atingindo ao menos 9.683 pessoas, com prejuízo total de R$ 185,3 mil. Segundo a sentença, após a obtenção dos valores com as rifas, Dilson e Gabriela passaram a atuar para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
De acordo com a decisão, o esquema envolveu o uso de contas bancárias em nome da própria Gabriela e de uma empresa do casal, além de contas de terceiros. Os valores eram transferidos entre diferentes contas e misturados a recursos de origem lícita, o que, conforme o juiz, dificultava o rastreamento.
A Justiça também apontou a aquisição de bens com aparência de legalidade. O magistrado classificou a operação como um esquema sofisticado, estruturado em múltiplas camadas, e destacou que a participação de Gabriela foi essencial para viabilizar a movimentação de mais de R$ 2,4 milhões.
Nego Di condenado: influenciador simulou contato com ganhadora de Porsche em rifa ilegal, mas ‘Silmara Noeli’ nunca existiu — Foto: Reprodução/Redes sociais
Recibo falso de doação milionária
“Ele fez uma doação de R$ 100 e expôs nas mídias sociais essa doação como se tivesse sido feita no valor de R$ 1 milhão, obtendo com isso um engajamento, um número maior de seguidores, que refletiu depois em ganhos patrimoniais. Ele usou a enchente para benefício próprio, recebendo um retorno financeiro a partir da utilização de um documento que depois se comprovou falso”, explica o promotor.
Nego Di anunciou doação de R$ 1 milhão para vítimas da enchente no RS, mas só enviou R$ 100, diz promotor — Foto: Reprodução/Redes sociais
Em um vídeo publicado na época nas redes sociais, Nego Di declarou: “A gente fez essa escolha de coração. Decidi doar um milhão de reais pro Rio Grande do Sul. Eu mandei R$ 1 milhão para a vaquinha do meu parceiro Badin”.
Para a Justiça, a conduta foi intencional e houve plena consciência da falsidade, com o objetivo de induzir a coletividade em erro ao atribuir ao influenciador uma doação que não ocorreu. A participação de Gabriela, segundo a decisão, foi essencial para o funcionamento do esquema.
O juiz Ricardo Petry Andrade afirmou que ela cedeu contas e estruturas financeiras para movimentar os recursos de origem ilícita e também se beneficiou da aquisição de bens. No caso do comprovante de doação, o magistrado considerou que houve adulteração consciente do valor antes da divulgação nas redes sociais, para enganar os seguidores.
Nego Di; Gabriela Vicente de Sousa, esposa do humorista — Foto: Arquivo pessoal; Redes sociais/Divulgação

Nego Di teria fraudado rifa e simulado contato com ganhadora de Porsche