O cálculo do IPH é de que o lago pode alcançar a marca de 3,6 metros nos próximos dias — justamente o limite considerado como cota de inundação na régua do Cais Mauá, no Centro da Capital.
“A gente vai ver os níveis do Guaíba chegando ali por quarta, quinta-feira, próximos da cota da inundação”, alerta o hidrólogo Fernando Fan, do IPH-UFRGS.
Segundo ele, mesmo após esse pico, o Guaíba deve permanecer em um patamar elevado por mais tempo, já que o escoamento das águas da bacia do Rio Jacuí é mais lento.
“O Rio Jacuí demora para esvaziar. Depois a tendência é de baixa gradual”, comenta.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de novas chuvas no fim de semana. Caso a previsão se confirme, os temporais cairiam em um momento de níveis já elevados, o que aumenta o risco de inundações.
“Não esperamos que o lago volte a transbordar, mas qualquer evento fora do previsto pode piorar a situação. O momento é de atenção redobrada”, reforça Fan.
Água do Guaíba atinge casas em Porto Alegre após chuvas no estado — Foto: Reprodução/ RBS TV
Volume de chuva em 2025 foi menor
Comparação das enchentes de 2024 e 2025 — Foto: Reprodução/ RBS TV
O cenário atual é diferente do registrado em abril de 2024, quando Porto Alegre foi atingida por uma enchente histórica. Naquele período, os acumulados chegaram a 800 milímetros de chuva, concentrados, principalmente, nas bacias do Jacuí e do Taquari, que deságuam diretamente no Guaíba.
Agora, em 2025, os maiores volumes ficaram em torno de 500 milímetros, concentrados em outra região do estado.
“As chuvas de 2025 atingiram a faixa central do estado, como Santa Maria, Jaguari e áreas da bacia do Rio Vacacaí. Os volumes ficaram em cerca de 400 milímetros em uma semana, quase metade do que choveu no ano passado”, explica o hidrólogo.
Ainda assim, parte dessa água está a caminho de Porto Alegre, vinda pelo Rio Jacuí, o que explica a elevação esperada do Guaíba. Já a outra parcela segue para o Rio Ibicuí e pode provocar inundações em cidades como Uruguaiana, na Fronteira Oeste.
Enchente do lado de fora do Mercado Público de Porto Alegre (RS), em 2024 — Foto: Adriano Machado/Reuters