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Ele ingressou na Brigada Militar em 2009 e atuava como soldado até fevereiro deste ano, quando foi preso temporariamente. A prisão foi convertida em preventiva em abril. Mesmo detido, ele segue recebendo remuneração. O último pagamento, referente ao mês de abril, teve o valor bruto de R$ 6.956,72.
Na denúncia, o Ministério Público requereu pela perda do cargo público. Procurada pela reportagem, a Corregedoria da Brigada Militar disse que o processo administrativo que vai julgar a conduta não pode ser aberto até que haja a autorização do uso das provas pela Justiça. Assim, o policial permanecerá recebendo, diante do princípio da presunção de inocência. Ou seja, ele só poderá deixar de receber esses valores caso seja condenado criminalmente e ocorra uma eventual exclusão da corporação.
Os corpos não foram encontrados mas, no início de maio, a Justiça tornou réus o PM e mais duas pessoas pelos assassinatos.
Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana e pai do filho dela, preso temporariamente desde fevereiro — Foto: Renan Mattos / Agencia RBS
Crimes pelos quais os réus respondem
Cristiano Domingues responde por dois feminicídios (Silvana e Dalmira), um homicídio qualificado (Isail), ocultação de cadáveres, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz.
O Ministério Público também requereu a perda do cargo público e a incapacidade para o exercício do poder familiar.
Milena Ruppental Domingues, atual esposa de Cristiano, é acusada de participação nos dois feminicídios e no homicídio qualificado, ocultação de cadáveres, fraude processual, associação criminosa, furto e falso testemunho, em razão do planejamento dos crimes, da criação de álibis e da manipulação de provas. Já o terceiro réu responde por ocultação de cadáveres, fraude processual e associação criminosa.
Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano, é réu por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa.
As denúncias do Ministério Público
Para o Ministério Público, Cristiano e Milena teriam participação nos feminicídios de Silvana e Dalmira por motivo torpe e por meio de emboscada. O MP aponta que Milena não teria participado diretamente no ato da morte, mas teria participação intelectual e organizacional do crime.
Os dois também foram denunciados pelo homicídio qualificado de Isail, além de furto qualificado de bens da casa de Silvana após o desaparecimento dela.
O MP afirma que Milena teria participação importante nos desaparecimentos. Ela também foi denunciada por falso testemunho, perante autoridade policial.
Cristiano, Milena e Wagner Domingues Francisco, o irmão de Cristiano, serão denunciados pela ocultação de cadáver das três vítimas e por fraude processual, por alterarem provas e dificultarem a investigação.
Outro fato é a associação criminosa dos três denunciados. Cristiano também deve responder, caso a Justiça aceite a denúncia, por falsidade ideológica, pois utilizou a identidade de outra pessoa para ativar chips de celular.
De acordo com o MP, o filho de Cristiano e Silvana tem recebido acompanhamento do órgão junto à família de Silvana, Dalmira e Isail. Atualmente, a criança está com a avó paterna, mãe de Cristiano, indiciada pela polícia.
O MP recorreu após a negativa da Justiça de prender Milena e Wagner. O pedido está em tramitação no Tribunal de Justiça.
Os outros três indiciados — a mãe de Cristiano, a sogra dele e um amigo dele — não foram denunciados. Eles não teriam participado dos fatos principais, portanto podem ser oferecidos acordos de não persecução penal pelo Ministério Público. Se forem julgados, isso será feito em um processo diferente dos três denunciados.
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil
O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:
O fim de semana dos desaparecimentos
- 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
– 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
– 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
– 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. - 25 de janeiro (domingo):
– Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
– Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
– Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
- 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
- 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
- 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
- 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
- 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação
- 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
- 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha.
- 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias.
- 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores.
- 24 e 25 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses.
- 9 de abril: Justiça decreta a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco.
- 17 de abril: Polícia conclui inquérito e Cristiano e outras cinco pessoas são indiciadas.
- 4 de maio: Ministério Público denuncia três pessoas pelo desaparecimento e morte da família Aguiar.
- 4 de maio: Justiça torna réus o policial militar Cristiano Domingues, sua atual esposa e seu irmão.
Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS — Foto: Arte/g1