Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), os policiais envolvidos agiram em legítima defesa, e não serão indiciados.
O caso aconteceu em julho. Valdemar Both tinha 53 anos.
A investigação, que envolveu análise de laudos de necropsia, balística e imagens de câmeras de segurança, confirmou a versão apresentada pelos agentes. De acordo com a polícia, os vídeos mostrariam que Valdemar, contrariado com a fiscalização ambiental, teria pegado um machado e investido contra os policiais, o que teria levado à reação com disparos de arma de fogo.
“Foi uma resposta direta a uma agressão injusta, atual e iminente, representando um risco real e imediato à vida dos agentes”, diz a nota da Polícia Civil.
A corporação afirmou que a abordagem fazia parte de uma fiscalização de rotina por crime ambiental.
A defesa da família de Both afirma que alega que “ainda não teve acesso a conclusão do inquérito da polícia civil. Após ter o conhecimento, irá se manifestar”.
Segundo a BM, a equipe realizava patrulhamento na área rural do município e se deparou com um estabelecimento que processa e comercializa produtos de origem florestal. Valdemar não tinha licença ambiental para operação, conforme os policiais. O agricultor também não teria autorização de porte e uso de motosserras.
Imagens mostram sequência de acontecimentos
Imagens de câmera de monitoramento da propriedade onde um agricultor foi morto a tiros mostram a sucessão de acontecimentos, desde a chegada da polícia na propriedade, até a remoção do corpo. Veja acima.
- A viatura chega na propriedade às 16h34
- Os disparos ocorrem quase uma hora depois, às 17h24
- Dezessete minutos depois, os policiais entram na viatura e tiram o veículo do local, retornando seis minutos mais tarde com outras duas pessoas
- O SAMU chega às 18h58
- A perícia no local inicia após às 19h
- E às 21h o corpo é removido
“Os policiais fuzilaram o pai”, diz filho
O agricultor Valdemar Both junto do filho e da esposa — Foto: Arquivo pessoal
“Quando cheguei [em casa], meu filho abriu a porta e disse: ‘os policias fuzilaram o pai’. Estou até agora sem entender, estou sem chão”, relata a mulher.
“Era uma pessoa extremamente boa. Ele ajudava todos aqui da comunidade”, comenta a vizinha Cleusa Pereira.
“Sempre disposto a ajudar os outros. No período das enchentes, não mediu esforços”, comenta o filho.
Nota da Polícia Civil
“A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Santa Maria, concluiu o Inquérito Policial que apurava a morte de Valdemar Both, ocorrida em 1º de julho de 2025, durante uma intervenção da Brigada Militar em uma propriedade rural. Após uma análise técnica e detalhada de todas as provas, a investigação determinou que os policiais militares envolvidos agiram sob a excludente de ilicitude da legítima defesa. A decisão foi fundamentada em um robusto conjunto probatório, que incluiu laudos de necropsia, balística e, de forma decisiva, a análise das imagens das câmeras de segurança do local, que confirmaram a dinâmica dos fatos narrada pelos agentes.
A investigação demonstrou que, durante uma fiscalização de rotina por crime ambiental, a situação escalou de forma drástica quando o Sr. Valdemar Both, contrariado com os procedimentos, apanhou um machado e investiu contra a guarnição. As imagens de vídeo e os laudos periciais comprovaram que a reação dos policiais, com disparos de arma de fogo, foi uma resposta direta a uma agressão injusta, atual e iminente, representando um risco real e imediato à vida dos agentes. Ficou constatado que o uso da força foi moderado e estritamente necessário para neutralizar a ameaça letal, cessando imediatamente após o agressor ser contido. Por não haver crime na conduta dos policiais, o inquérito foi finalizado e remetido ao Poder Judiciário sem o indiciamento dos mesmos.”
Agricultor foi morto a tiros durante abordagem da BM em Santa Maria — Foto: Divulgação