sexta-feira, abril 17, 2026
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‘Rodízio de terror’: PMs são condenados por tortura, cárcere privado e violação de domicílio no RS; juíza decreta perda dos cargos

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A sentença detalha que os policiais participaram de uma operação ilegal que envolveu invasões de domicílio, agressões, sequestro, torturas físicas e psicológicas, disparos de arma de fogo e cárcere privado das vítimas ao longo de mais de duas horas.

Os então réus Sandro Urubatã Acosta, Anderson Azambuja de Souza, Anderson Nascimento da Silva e Nathan Fraga Leon foram condenados por diferentes graus de participação.

Todos perderam seus cargos na Brigada Militar, e a Justiça determinou ainda a interdição para o exercício de função pública pelo dobro do tempo das penas impostas. Confira:

  • Sd. Sandro Urubatã Acosta: 13 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, além de 8 meses de detenção. Deve iniciar em regime fechado. Considerado o que mais exerceu violência e comandou a ação;
  • Sd. Anderson Azambuja de Souza: 12 anos, 5 meses e 18 dias de reclusão, além de 8 meses e 22 dias de detenção. Início em regime fechado;
  • Sd. Anderson Nascimento da Silva: 1 ano e 8 meses de reclusão e 4 anos, 11 meses e 15 dias de detenção, em regime semiaberto. Foi considerado responsável por manter pessoa presa e impedir que acionasse a polícia;
  • Sd. Nathan Fraga Leon: 1 ano, 6 meses e 22 dias de reclusão e 4 anos, 11 meses e 25 dias de detenção, também em regime semiaberto. Condenado por omissão dolosa, com base nas provas de que tinha conhecimento das ilegalidades e não impediu os crimes.

O g1 procurou as defesas dos policiais condenados. Nenhuma delas respondeu até a última atualização desta reportagem, com exceção do advogado Jairo Luís Cutinski, que representa Anderson Nascimento da Silva e afirmou ainda não ter lido a sentença.

A reportagem também buscou posicionamento do 21º Batalhão da Brigada Militar, onde atuavam, mas também não houve retorno.

Já o Ministério Público vai recorrer para aumentar a pena de Nathan e Nascimento.

Como foi a operação ilegal

Segundo a sentença, a atuação dos policiais teve início por volta das 3h do dia 1º de agosto de 2025, quando o grupo chegou à residência de uma família no bairro Lami, em Porto Alegre. Os militares entraram no local sem autorização judicial e levaram um dos moradores contra a vontade.

Outro integrante da família ficou retido dentro da casa sob vigilância de um dos PMs, sem acesso ao próprio celular, impedido de buscar ajuda durante toda a madrugada.

Após deixarem o primeiro endereço, os policiais seguiram para outra residência, onde morava um casal com três filhos. No local, de acordo com a decisão, os militares submeteram os moradores adultos e o homem retirado da casa anterior a uma série de abusos.

A juíza destaca que gravações das câmeras corporais, ainda que com a imagem propositalmente bloqueada, registraram sons que confirmam a violência empregada na casa (veja vídeo acima). As crianças presenciaram toda a situação.

Em seguida, a ação continuou em uma área de mata. A sentença aponta que, nesse local, a vítima retirada da primeira residência voltou a ser submetida a agressões e foi abandonada ferida.

Mais tarde, já ao amanhecer, familiares a encontraram em condições debilitadas. O laudo médico anexado ao processo confirmou múltiplas lesões compatíveis com os relatos feitos à Justiça.

O que disseram os PMs

Todos os acusados negaram as torturas. Alguns alegaram que as vítimas tinham envolvimento com tráfico de drogas e afirmaram que os moradores teriam consentido com a entrada na residência.

No entanto, as imagens das câmeras corporais mostraram os policiais chegando à casa com o corta-vergalhão antes mesmo de qualquer contato com os moradores, contrariando a versão dos réus.

Mensagens extraídas dos celulares dos PMs também contradisseram as versões. Em uma conversa, o soldado Nathan afirmou, horas antes da operação, que os colegas estariam “planejando fazer uma ladaia” e que havia “problema de entrar em casa sem mandado”. Após o episódio, ele descreveu a madrugada como “loucura”.

Outras conversas mostram PMs comentando as agressões, chamando o espancamento de “lamba federal” e sugerindo ameaçar vítimas que pretendiam denunciar o caso à Corregedoria.

Fachada do 21° Batalhão de Polícia Militar, em Porto Alegre — Foto: Divulgação/Brigada Militar

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