quinta-feira, maio 21, 2026
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RS terá diagnóstico próprio para casos suspeitos de ingestão de metanol; saiba como vai funcionar

por admin
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O anúncio foi feito pela Secretaria Estadual da Saúde na segunda-feira (6). As análises serão realizadas pelo Centro de Informação Toxicológica (CIT) do estado. O objetivo é realizar exames laboratoriais para identificação de metanol em casos suspeitos de ingestão durante o consumo de bebidas destiladas.

🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiência pulmonar e renal.

Segundo o CIT, os insumos necessários para a realização dos testes já foram comprados e estão em fase de padronização e testes dos equipamentos. A previsão é de que os exames comecem a ser realizados na próxima semana. Atualmente, essa análise é feita pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Além da estrutura laboratorial, a Secretaria da Saúde também está realizando um levantamento junto à rede hospitalar sobre os estoques de etanol farmacêutico, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. O estado aguarda, ainda, o envio de um antídoto específico, que está sendo adquirido pelo Ministério da Saúde junto a fornecedores internacionais.

No Rio Grande do Sul, um caso suspeito envolvendo um morador de Porto Alegre está em investigação. Em nível nacional, o Ministério da Saúde contabiliza 17 casos confirmados de intoxicação por metanol e 217 notificações relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Duas mortes foram confirmadas em São Paulo, e outras 12 seguem em investigação.

No estado, o CIT será o ponto focal da Secretaria da Saúde para recebimento de notificações de casos suspeitos, feitas pelos serviços de saúde. O atendimento funciona pelo telefone 0800-7213000, com plantão 24 horas, todos os dias da semana. Profissionais de saúde podem obter apoio no diagnóstico e orientações sobre o tratamento por meio do serviço.

Laboratório de Análises Toxicológicas da Universidade Feevale analisa a presença de metanol — Foto: Júlia Taube/ RBS TV

Como funcionam as análises

O teste é feito em um equipamento chamado de cromatógrafo a gás. Em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, o Laboratório de Análises Toxicológicas da Universidade Feevale é um dos locais que possui a máquina e onde também são realizadas análises particulares para detectar a presença de metanol. Até o momento, o laboratório já recebeu uma solicitação de teste em bebida, feita pelo dono de um estabelecimento da cidade.

  1. Coletam a amostra da bebida suspeita de ser adulterada com metanol;
  2. Misturam com cloreto de sódio em um frasco devidamente lacrado;
  3. Levam para o equipamento.

Segundo Rafael Linden, professor do mestrado em Toxicologia e Análises Toxicológicas da instituição, a coleta no frasco é submetida a uma incubação a 80°C no cromatógrafo a gás, onde o líquido se transforma em vapor. A análise ocorre justamente nessa fase.

“As substâncias voláteis se tornam um vapor. A máquina pega uma alíquota desse vapor, que é introduzido dentro do sistema e acontece a separação dos componentes dessa mistura. Então nós podemos ver a presença do etanol, do metanol e de várias outras substâncias voláteis que estão presentes naquele material”, explica o Linden.

A técnica permite separar os componentes da amostra e identificar a presença de metanol. A análise vem detalhada em um gráfico, que mostra se existe metanol na composição e quantidade em comparação com o etanol. (veja vídeo acima para saber como ocorre)

Rafael Linden, professor do mestrado em Toxicologia e Análises Toxicológicas da Universidade Feevale — Foto: Júlia Taube/ RBS TV

Quanto mais testes, mais demora no resultado

Conforme o professor, o tempo de análise varia de um laboratório para o outro. No Laboratório de Análises Toxicológicas da Universidade Feevale, por exemplo, o processo leva cerca de cinco minutos. Apesar de parecer rápido, Linden afirma que se a quantidade de testes for elevada, o tempo de espera pelo resultado pode ser maior.

“Essa máquina processa uma amostra de cada vez. É preciso concluir uma [amostra] para analisar a próxima. Então, se um laboratório tem uma demanda de testar centenas de análises, isso vai demorar em função desse tempo”, avalia Linden.

O que pode impactar na demora, também, é a quantidade de locais disponíveis para a realização das testagens. No estado, conforme o professor, são poucos os laboratórios que possuem o cromatógrafo a gás, já que a máquina precisa ser importada.

Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano. — Foto: Arte/g1

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