Saúde mental: RS teve 18 mil afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão em 2024, aponta levantamento

Saúde mental: RS teve 18 mil afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão em 2024, aponta levantamento

Em todo o país, foram quase meio milhão de afastamentos, o maior número em pelo menos dez anos. O levantamento aponta que os transtornos mentais chegaram a uma situação incapacitante como nunca visto. Na comparação com o ano anterior, houve um aumento de 68%.

Em números absolutos absolutos, a maior quantidade de licenças está em estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No entanto, proporcionalmente, quando é considerado o número de afastamentos em relação à população, o RS registra um dos maiores índices.

➡️ Conforme o Ministério da Previdência Social, os dados representam afastamentos e não trabalhadores. O governo federal explica que uma pessoa pode tirar mais de uma licença médica no mesmo ano e esse número é contabilizado mais de uma vez.

Afastamentos em 2024

Doenças Concessões
Depressão 10.274
Ansiedade 7.792
Transtorno Bipolar 6.675
Depressão Recorrente 4.835
Vício em drogas 2.149
Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação 1.690
Alcoolismo 1.235
Vício em Cocaína 1.048
Esquizofrenia 814
Transtornos esquizoafetivos 492

Relação com pandemia e enchente

“A gente passou por uma pandemia, agora a gente passou por uma catástrofe. Esses traumas acabam influenciando na construção da nossa saúde mental, na maneira como a gente percebe o mundo. O luto que esses traumas causaram na nossa vida também influenciam a forma de trabalho”, cita a psicóloga Monique Machado.

“As enchentes de 2024 prejudicaram todo o estado, direta ou indiretamente. Não tenho dúvidas de que essa questão repercuta na vida de muita gente ainda (e provavelmente seguirá por muito mais tempo), afinal, apesar de as campanhas de auxílio terem cessado, muitas pessoas seguem sem casa, sem móveis”, pondera o especialista em psicologia em saúde Felipe Ayres Pozzobon.

Arte sobre transtornos mentais — Foto: Otávio Camargo/Arte g1

Acesso à informação e autocuidado

❤️‍🩹 A psicóloga especialista em saúde mental no trabalho Kellen Munhoz atuou como voluntária durante os resgates e em abrigos. Ela afirma que identificou um número significativo de pessoas com sintomas pré-existentes, que só buscaram ajuda através de programas de saúde mental implementados durante a crise.

“Inúmeras pessoas estão sofrendo, muitas vezes em silêncio, sem acesso ao diagnóstico e tratamento adequados. Quando, finalmente, essas pessoas conseguem acesso a profissionais de saúde qualificados, observamos um aumento nos números de diagnósticos. Isso não significa que os transtornos mentais estejam se proliferando repentinamente, mas sim que estamos finalmente revelando uma parcela da população que já estava adoecida e necessitava de cuidados”, avalia.

A opinião é corroborada por Monique. Conforme a profissional, o acesso à informação vem naturalizando questões sobre saúde mental, e “as pessoas estão validando seus sintomas”.

“Quanto mais você consegue entender o que é uma depressão, o que é uma ansiedade, você vai se empoderando do seu corpo e entendendo como é que é o funcionamento dele, vai procurando os teus direitos. Direito de conseguir afastamento do ambiente de trabalho, que às vezes é um dos principais causadores. Vai se tendo um autocuidado”, diz.

Vista aérea das ruas completamente alagadas no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, durante enchente — Foto: MAX PEIXOTO/DIA ESPORTIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

Atualização na responsabilidade

Para não depender apenas de iniciativas e também cobrar mais responsabilidade dos gestores, o Governo Federal anunciou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que apresenta as diretrizes de saúde no ambiente do trabalho.

Com as atualizações, o Ministério do Trabalho passa a fiscalizar os riscos psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), o que pode, inclusive, acarretar em multa para as empresas caso sejam identificadas questões como:

  • metas excessivas;
  • jornadas extensas;
  • ausência de suporte;
  • assédio moral;
  • conflitos interpessoais;
  • falta de autonomia no trabalho;
  • condições precárias de trabalho.

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