Sete filhos e seis netos: conheça a história da faxineira que sustenta família com jornada de trabalho de 12 horas por dia

Sete filhos e seis netos: conheça a história da faxineira que sustenta família com jornada de trabalho de 12 horas por dia

Sete filhos, seis netos, três gatos, um cachorro e uma mulher no centro de tudo: Patrícia Luciane da Costa Silva, de 51 anos. É em torno dela que a família inteira se organiza, se inspira e se encontra.

No entanto, por trás da mesa completa, está a força de uma mulher que faz da resistência o seu modo de existir.

“Eu nunca quis ser rica. Eu só não queria ter que me preocupar em comprar pão todo dia”, resume Patrícia, ao lembrar das motivações que a empurraram, desde cedo, para o trabalho.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, quase metade das unidades domésticas do país (49,1%) têm uma mulher como responsável. No Rio Grande do Sul, o índice é de 48,6%. A maioria dessas mulheres — 67,3% — tem mais de 40 anos. São elas que, como Patrícia, acumulam jornadas, sustentam famílias e mantêm estruturas funcionando.

Patrícia Luciane da Costa Silva, de 51 anos, tem jornada de trabalho diária de 12 horas — Foto: RBS TV

A rotina de Patrícia

A rotina começa quando a cidade ainda dorme. Patrícia sai de casa em silêncio, por volta das 5h30, e encara uma jornada que inclui cinco ônibus por dia e dois empregos fixos. Pela manhã, trabalha com carteira assinada. À tarde, faz faxina em um prédio e em quatro residências.

Ao todo, são mais de 12 horas de trabalhosem contar a chegada em casa, onde uma nova rotina começa.

A maternidade, segundo pesquisa do Sebrae de 2023, influencia diretamente o mercado de trabalho feminino: 68% das mulheres afirmam que a maternidade interfere nas escolhas profissionais, e elas dedicam em média 3,1 horas por dia ao cuidado de familiares — um trabalho invisível, não remunerado, mas essencial.

Patrícia Luciane da Costa Silva, de 51 anos, tem jornada de trabalho diária de 12 horas — Foto: RBS TV

Superação

Esse caminho foi traçado cedo, marcado pela ausência e pela superação. A mãe da trabalhadora morreu quando ela tinha apenas 12 anos. Foi a irmã mais velha quem assumiu a criação da família e serviu como referência.

“A minha irmã fazia faxina de boa. Se a minha irmã conseguiu, eu consigo também. Foi assim”, recorda.

Quando chegou a vez de formar a própria família, Patrícia repetiu o que aprendeu: trabalhar, sustentar, cuidar.

A casa onde vive hoje é um símbolo da estabilidade que tanto buscou. É também onde, aos domingos, recebe os filhos e os netos. O almoço em família se tornou tradição.

Para a filha Audry Paganini, estudante de moda, a mãe é uma figura que vai além da maternidade.

“A minha mãe é o meu pai ao mesmo tempo, então ela sempre está com a gente. Quando ela não tá, aí a gente briga com ela porque ela trabalha demais”, diz.

Apesar da rotina intensa, Patrícia valoriza pequenos momentos de descanso. Quando chega em casa, a primeira coisa que faz é se sentar. O gesto simples marca o fim de mais um dia.

Patrícia Luciane da Costa Silva, de 51 anos, tem jornada de trabalho diária de 12 horas — Foto: RBS TV

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