Teor de açúcar, aroma e volume: produtores e entidades se animam com qualidade da uva no RS após condições climáticas extremas

Teor de açúcar, aroma e volume: produtores e entidades se animam com qualidade da uva no RS após condições climáticas extremas

“Foi uma safra surpreendente, em volumes e qualidade”. A afirmação do engenheiro agrônomo do escritório regional da Emater de Caxias do Sul, Enio Todeschini, é chancelada por produtores de uva do RS e entidades representativas do setor.

“Hoje podemos declarar que estamos diante de uma das grandes vindimas que o Rio Grande Sul já teve”, anima-se o enólogo e gestor do grupo Valduga, Eduardo Valduga.

O RS é o maior produtor de uvas e vinhos do país. A atividade mobiliza aproximadamente 15 mil famílias em cerca de 45 mil hectares, especialmente em municípios da Serra. A produção de sucos, vinhos e espumantes impulsiona o turismo, a gastronomia e a economia do estado.

Levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado prevê que a produção de uva alcance até 860 mil toneladas (com 745 mil toneladas destinadas à indústria) na Serra. A estimativa representa um aumento de 55% em relação à safra anterior.

“Eu diria que é a safra das safras, pois o último episódio de boa qualidade foi em 2020, mas esta foi acima da média, foi uma safra excelente”, afirma o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento de Vitivinicultura do estado (Consevitis-RS), Luciano Rebellatto.

Não são apenas os números envolvendo a matéria-prima que se destacam. Conforme especialistas ouvidos pelo g1, o teor de açúcar e a coloração dos frutos colhidos também chamaram a atenção. A tendência é de sabores e aromas mais intensos.

“Foi uma safra com produtos de muito boa qualidade. Questão de sanidade muito boa, excelente teor de açúcar e também a coloração”, complementa Todeschini.

Qualidade da safra de uva anima entidades e produtores do RS — Foto: Felipe Dalla Valle/Secom RS

Enchente e ondas de calor

“Os episódios de chuva que aconteceram não chegaram a impactar na produção das uvas. Alguns vinhedos que foram destruídos conseguiram ser reconstituídos, então não vamos sentir impacto negativo”, observa Rebellatto.

De acordo com a Emater, a primavera com chuvas regulares, aliada às noites frias e dias não tão quentes até dezembro, contribuiu na otimização dos processos de brotação e desenvolvimento dos cachos.

“As plantas têm mecanismos fisiológicos de regulação, de tolerância, de resistência para fazer frente a situações adversas, principalmente quando se fala em frio extremo, calor extremo”, pontua o engenheiro agrônomo.

Segundo Rebellatto, com relação aos primeiros meses de 2025, “a pouca chuva em janeiro e fevereiro foi muito propícia à colheita”, especialmente para o amadurecimento da uva.

“A falta de chuva ou a baixa quantidade de chuva faz com que a concentração de açúcar das uvas se amplifique”, finaliza.

Qualidade da safra de uva anima entidades e produtores do RS — Foto: Rejane Paludo/Emater-RS

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