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Um levantamento da Polícia Civil mostrou que, em 2025, 12,2% das comunicações de roubo de veículos em Porto Alegre eram, na verdade, falsas ocorrências. O índice está acima do padrão nacional, que varia entre 2% e 3%.
O aumento na identificação de golpes, conforme a investigação, tem relação com o uso de tecnologias de rastreamento e com o entendimento cada vez maior sobre como essas quadrilhas atuam.
Como funciona o golpe
De acordo com a polícia, os próprios proprietários dos carros procuram grupos especializados em fazer “sumir” veículos com problemas mecânicos, desvalorizados ou que já não os satisfazem. Depois, registram ocorrência afirmando que foram vítimas de assalto e tentam acionar o seguro.
Em muitos casos durante a investigação, o comportamento dos envolvidos, o histórico do veículo e, principalmente, ferramentas eletrônicas revelam que o suposto crime nunca aconteceu.
A Polícia Civil explica que comunicar falsamente um roubo configura estelionato e pode causar uma série de consequências ao autor do golpe:
“A pessoa vai ficar sem o veículo, vai ficar sem o prêmio do seguro, possivelmente vai ser presa em flagrante e ainda vai responder a um processo judicial”, diz a delegada Jeiselaure de Souza.
Trânsito em Porto Alegre — Foto: Reprodução/ RBS TV
Conversas, deslocamentos e contradições
Em 2025, 66 pessoas foram presas em Porto Alegre após registrarem falsos roubos. Em parte desses casos, detalhes simples, como conversas, deslocamentos e contradições, chamaram atenção dos investigadores.
Um dos episódios envolve um casal de Pelotas. A mulher viajou até a capital para registrar o suposto roubo, orientada pelo companheiro a “chegar chorando” e afirmar que não era da cidade. A farsa, porém, durou pouco: o sistema de cercamento eletrônico mostrou que o veículo havia deixado Porto Alegre mais de uma semana antes e estava em Santa Catarina.
Casal de Pelotas, no RS, em conversa sobre falso roubo de veículo — Foto: Reprodução/ RBS TV
O avanço no uso de cercamento eletrônico e outras ferramentas de monitoramento tem sido decisivo para desmontar as tentativas de fraude. Com acesso rápido ao histórico de deslocamento dos veículos, a polícia consegue confrontar versões e identificar inconsistências quase imediatamente.