Conheça programa que permite adoção de animais silvestres resgatados do tráfico no RS

Conheça programa que permite adoção de animais silvestres resgatados do tráfico no RS

O governo do Rio Grande do Sul lançou nesta semana um programa que permite a guarda legal de animais silvestres resgatados do tráfico ou vítimas de acidentes. A iniciativa Guardiões da Fauna é coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e tem como objetivo ampliar a rede de mantenedores responsáveis, desafogar centros de reabilitação e oferecer um destino legal e seguro a animais que não podem retornar à vida livre.

Atualmente, cerca de 150 animais estão aptos para adoção. Entre as espécies que podem ser acolhidas estão papagaios, caturritas, bugios, macacos-prego, lagartos, tartarugas e gato-do-mato.

Segundo a médica veterinária da UFRGS, Ana Carolina Contri, os animais que chegam aos centros de reabilitação podem apresentar ferimentos e nem sempre consegue retornar à natureza.

“Muitos dos animais chegam para a gente muito machucados e com lesões que acabam impedindo o retorno deles à vida livre, que é sempre o nosso objetivo”, relata.

Manter animais silvestres em cativeiro sem autorização é crime ambiental. Denúncias de situações irregulares devem ser feitas aos órgãos competentes.

Como funciona

Interessados em se tornar guardiões devem se cadastrar pelo Sistema Online de Licenciamento Ambiental (SOL). Após o envio da documentação, a Sema realiza vistoria técnica no local indicado e avalia se o espaço cumpre os critérios exigidos.

Para participar, é necessário:

  • residir no Rio Grande do Sul;
  • não ter histórico de infrações ambientais ou processos relacionados à fauna;
  • ser aprovado em vistoria técnica;
  • comprovar capacidade de manter o bem-estar e a segurança do animal.

Cada guardião poderá acolher até cinco animais, com possibilidade de ampliação para até dez no caso de aves. A comercialização, reprodução e exposição pública dos animais são proibidas, mas atividades de educação ambiental podem ser autorizadas pela secretaria.

Os voluntários não podem escolher a espécie a ser adotada, mas devem informar a estrutura já existente ou a ser construída no local. O objetivo é ampliar a rede de proteção e não atender preferências pessoais.

“O projeto nasceu com uma intenção simples, mas poderosa: permitir, de forma excepcional, que pessoas físicas ou jurídicas, desde que cumpram os critérios legais, possam ter a guarda desses animais, com acompanhamento técnico e autorização da Sema”, afirma a diretora de biodiversidade da Sema, Cátia Viviane Gonçalves.

A secretária Marjorie Kauffmann, titular da Sema, afirma que o programa representa um compromisso com a proteção da biodiversidade. “Queremos oferecer um destino digno a esses animais e, ao mesmo tempo, fortalecer a consciência coletiva sobre a responsabilidade que todos temos em proteger a biodiversidade.”

“Isso nos faz felizes”, diz guardiã

A empresária Natália Andreghetto é uma das primeiras guardiãs. Ela acolheu duas macacas-prego, Betina e Beatriz, que viviam acorrentadas em um porão.

“Quando elas chegaram aqui, elas tinham muito medo, e hoje elas estão começando a pular, a ser livre, a ser macaco, que é o que elas devem ser”, afirmou.

Natália também destacou o envolvimento emocional com os animais. “O meu hobby é isso. Gosto de vir para a minha casa e cuidar dos meus animais. Tem muitas outras pessoas como eu, que estão dispostas a dar amor, tempo, trabalho e dinheiro para eles, porque isso nos faz muito felizes”, disse.

A empresária Natália Andreghetto acolheu duas macacas-prego, Betina e Beatriz, que viviam acorrentadas em um porão — Foto: Reprodução/RBS TV

VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Related posts

Nuvem gigante se aproxima de Porto Alegre, que tem alerta de tempestade; FOTO

Ministério Público do RS denuncia cardiologista por estupro de vulnerável

Padre interrompe viagem e para em acidente na BR-386 para dar extrema unção a mãe e filho mortos no RS