Segundo a Polícia Civil, o assassinato aconteceu no dia 9 de agosto, dentro da primeira pousada onde o suspeito residia há alguns meses. Foi nesse local que ele teria preparado o ambiente para cometer o assassinato e o desmembramento da vítima, utilizando lona, fita e vedação para isolar o cômodo.
No entanto, a Polícia Civil acredita que a vítima seja uma mulher com 65 anos, moradora de Porto Alegre e natural de Arroio Grande, que trabalhava como manicure. Essa mulher, com quem ele mantinha um relacionamento casual, também estaria morando na mesma pousada.
“Há uma grande probabilidade, de acordo com a avaliação dos investigadores, que seja da mesma vítima. Nós trabalhamos com essa possibilidade. Isso vai ser confirmado com a perícia que vai ser realizada”, explica o delegado.
Corpo foi encontrado dentro de mala em guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre — Foto: Jonathan Heckler/Agência RBS
Movimentação entre pousadas
A movimentação entre pousadas foi um dos elementos que ajudaram a polícia a traçar o trajeto do suspeito. Após sair da primeira pousada, ele foi visto com uma mala e se dirigiu a um segundo estabelecimento. A polícia acredita que o descarte final das partes restantes ocorreu nesse intervalo.
A identificação do suspeito foi possível graças à investigação tradicional: policiais refizeram o trajeto do homem a partir da rodoviária, analisando imagens de câmeras de segurança de 34 estabelecimentos. Em uma delas, ele aparece sem máscara em um supermercado, o que permitiu a identificação facial. A partir daí, os agentes localizaram a primeira pousada e, posteriormente, a segunda, onde ele havia se hospedado com nome falso.
Foi na segunda pousada que a prisão foi efetuada, na quinta-feira (4). O suspeito foi abordado pelos policiais enquanto tomava café, e levado ao quarto onde estava hospedado. Lá, foram encontrados comprovantes de transações bancárias entre ele e a vítima, além dos cartões dela, reforçando a hipótese de motivação financeira.
Caso do corpo em mala: publicitário Ricardo Jardim foi preso nesta sexta-feira — Foto: Ronaldo Bernardi/Agência RBS
A polícia ainda busca a cabeça da vítima, que não foi localizada até a última atualização. O delegado responsável pela investigação afirmou que o suspeito não revelou onde a descartou, mas indicou que sabia da aproximação da polícia e se desfez da parte final do corpo.
A investigação segue com foco na análise dos eletrônicos apreendidos, que podem revelar mais sobre o histórico do suspeito, inclusive o uso de perfis falsos em redes sociais para atrair mulheres.
Exame de DNA e coleta com familiares
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que os membros encontrados em 13 de agosto, na Rua Fagundes Varela (Zona Leste), e o torso deixado em mala no guarda-volumes da rodoviária, identificado no dia 1º de setembro, pertencem a mesma pessoa.
O IGP também relatou que, a partir dos nós dos sacos de lixo que envolviam os fragmentos, foi extraído um perfil genético masculino que coincidiu com o de um condenado no Banco de Perfis Genéticos do RS, resultado que sustentou o pedido de prisão do suspeito.
A etapa que segue é o comparativo com DNA da família para fechar a identificação da vítima.
Na coletiva realizada na sexta-feira (5), a Polícia Civil reiterou que a coleta de material dos familiares será feita para a confirmação formal e que a família, do interior do RS.
O que a polícia já estabeleceu sobre a dinâmica
- Depósito da mala: câmeras mostram um homem deixando a mala no dia 20 de agosto no guarda-volumes da rodoviária. O volume ficou no local por cerca de 12 dias, até ser aberto pela equipe do setor devido ao odor;
- Planejamento e ocultação: o autor removeu as pontas dos dedos dos membros para dificultar a identificação e deixou a cabeça por último, estratégia que, segundo a polícia, visava retardar o reconhecimento da vítima;
- Relacionamento e possível motivação: segundo a investigação, o suspeito mantinha relacionamento com a vítima e tentou usar os cartões dela. Comprovantes de transações entre ambos foram encontrados. A motivação financeira é apurada;
- Apreensões: com o suspeito, os policiais apreenderam celulares e notebook material será periciado após pedidos judiciais de acesso aos dados;
- Classificação do crime: a Polícia Civil trata o caso, neste momento, como feminicídio. Laudos complementares devem apontar a causa da morte quando houver reunião de todas as partes do corpo.
Infográfico – Linha do tempo: homem preso após abandonar mala com corpo na rodoviária de Porto Alegre — Foto: Arte/g1