Maquiné, Litoral do Rio Grande do Sul, CTG Devotos da Tradição lotado para um jantar-baile e apresentação da invernada de danças juvenil. Quando o grupo entra para o tablado para se apresentar, sete pares começam a realizar os movimentos sincronizados, enquanto quatro prendas da mesma invernada assistem a tudo, em frente ao palco, sozinhas.
É que faltam peões para formar as duplas com as gurias. As prendas só entram para a pista no momento em que a apresentação permite performances individuais. Na invernada pré-mirim, o déficit é ainda maior: dez peões.
“Acho que a falta de peões deve-se muito pela vergonha dos adolescentes, pela comodidade de ficar na Internet, talvez também pela falta de incentivo dos pais. Além disso, muitos trabalham desde cedo e acabam que no turno da noite querem descansar”, opina o patrão do CTG, Diego Matos.
A situação se repete no CTG Chaleira Preta, de Gravataí. Na invernada de danças pré-mirim, são 17 prendinhas e apenas oito peões.
“Sempre tem prendas a mais. É uma pena aquelas meninas todas paradas na volta, enquanto os pares formados estão dançando”, lamenta o ex-patrão Joelci Guimarães.
Para Guimarães, os meninos são mais propensos a deixarem o movimento tradicionalista para participar de outras atividades, como as lutas marciais, por exemplo.
“Deveria haver mais incentivo”, ele defende.
Para o vice-presidente Artístico do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Luis Afonso Torres, o desinteresse dos peões pode ter relação às tecnologias como jogos virtuais e internet. Ele acredita que as prendas tenham um perfil mais próximo do artístico no qual se encaixa do tradicionalismo.
“Os pais precisam incentivar as crianças a entrarem para este meio”, defende,
De fato, o Rio Grande do Sul carece de uma política pública de fomento aos CTGs, reivindicação antiga do meio tradicionalista. Anunciado como o novo secretário da Cultura do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Eduardo Loureiro (PDT) deve assumir na próxima segunda-feira com a promessa de criar um departamento na pasta para cuidar exclusivamente da cultura regional.
“Pretendemos formatar um programa que possa contribuir de forma efetiva para melhorar essa situação. Assumiremos a função na segunda-feira e já na semana abriremos diálogo com representantes dessa área para a elaboração de uma plano nesse sentido. A cultura gaúcha vai merecer toda a nossa atenção”, declarou ao blog.