Que os animais são capazes de oferecer apoio e amor às pessoas, todo mundo já sabe, mas o que poucos imaginam é que eles podem auxiliar os profissionais da saúde. Há três anos, uma iniciativa leva uma égua e uma cadela para auxiliar no tratamento de pacientes de um hospital de Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O projeto “Patinhas e cascos que acolhem vidas” foi idealizado pela arteterapeuta Rejane Beatriz, que atua no Hospital Sapiranga há 12 anos. “Ao longo dessa trajetória, percebi o quanto os animais conseguem acessar emoções que, muitas vezes, as palavras não conseguem alcançar.”
As protagonistas são a égua Sereia e a cachorra Akira. Conforme Rejane, elas são parceiras terapêuticas e atuam em diferentes setores, como internação clínica, pediatria, maternidade e unidade de terapia intensiva (UTI).
“A Akira promove uma aproximação imediata. Ela aceita colo, quebra barreiras rapidamente e desperta um sentimento de proteção. A Sereia encanta pela imponência e pela delicadeza ao mesmo tempo. Sua presença transmite calma, contemplação e acolhimento. Quando atuam juntas, elas potencializam a experiência terapêutica.”
Os pacientes recebem a visita da cadela todas as semanas e, quinzenalmente, da égua. Em ocasiões especiais, elas vão juntas. De acordo com a instituição, a interação com animais resulta na diminuição do estresse, melhora do humor e estímulo sensorial, beneficiando o tratamento e a recuperação dos pacientes.
Para Rejane, a parte mais relevante é ver que os animais ajudam pacientes que estão em sofrimento e, muitas vezes, não querem falar nem com a equipe do hospital nem com os familiares.
“Os animais não julgam. Não cobram respostas. Não fazem perguntas difíceis. Eles apenas oferecem presença. E, muitas vezes, é exatamente isso que alguém em sofrimento precisa para voltar a confiar. O vínculo acontece naturalmente. O afeto é a linguagem dos animais e isso facilita uma conexão muito profunda”, defende.
Arteterapeuta Rejane Beatriz com a égua Sereia e com a cadela Akira — Foto: Arquivo pessoal
Protocolos sanitários
Para levar o equino para o ambiente hospitalar, protocolos sanitários são cumpridos. “Antes de cada turno, a Sereia passa por banho completo, higienização dos cascos, escovação, limpeza da crina e da cauda, além de avaliação clínica. Ela permanece algumas horas em jejum para evitar eliminações durante a permanência no hospital”, explica a arteterapeuta.
Apesar dos sons de equipamentos e movimentação constante de pessoas com pranchetas, macas e cadeiras de rodas, a Sereia já se adaptou e caminha livremente, sem interferir na dinâmica da casa de saúde.
A profissional da saúde destaca que a dupla recebeu treinamento específico. Ela também diz que sempre são respeitados os limites dos animais. Caso apresentem qualquer alteração no comportamento, o atendimento é encerrado.
Animais foram adotados
A arteterapeuta adotou Akira desde que o animal era filhote. Já a Sereia chegou em sua vida em 2019 e, desde março de 2023, auxilia nos atendimentos.
“Foi amor à primeira vista. Ela veio morar comigo e eu não tinha experiência com equinos. Porém, convivendo diariamente com ela, percebi que possuía todas as características que eu buscava em um animal terapeuta: extrema docilidade, curiosidade, equilíbrio emocional e sociável.”
Égua e cachorra visitam pacientes em hospital no RS e auxiliam no tratamento — Foto: Arquivo pessoal