Empresário de 65 anos cai em golpe de falsos advogados e alerta: ‘Não pague nada antes de confirmar’

“Eu tenho um escritório que cuida dos meus processos há mais de quatro anos. Sempre nos comunicamos por mensagens. Um dia, recebi uma mensagem com o número parecido com o do meu advogado, com a foto dele e o nome do escritório. Diziam que eu precisava pagar um imposto para liberar o valor da aposentadoria”, contou.

Carlos Roberto Comassetto transferiu R$ 12 mil via PIX.

“Na segunda-feira, percebi que algo estava errado. Falei com minha contadora e com meu advogado, e descobri que o processo ainda estava em andamento. Já era tarde”, relatou.

Ele ainda disse que os golpistas tentaram aplicar um segundo golpe.

“Fui à Polícia Civil e ao banco, mas a transferência já tinha sido feita. A lição que fica é: não pague nada para ninguém antes de confirmar pessoalmente com seu advogado ou gerente do banco”, comentou.

Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira (2) nos estados do Ceará, Minas Gerais e Santa Catarina prendeu seis pessoas suspeitas de integrar a quadrilha que aplicava os golpes por meio de aplicativos de mensagens.

Entre os presos está o homem apontado como chefe do grupo, de 44 anos.

Empresário Carlos Roberto Comassetto — Foto: Reprodução/ RBS TV

Como funcionava o golpe

Segundo a investigação, os criminosos se passavam por advogados de vítimas que tinham valores a receber em processos judiciais. Eles utilizavam fotos e dados reais dos profissionais para enganar os clientes.

O diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Eibert Moreira Neto, explicou como os criminosos agiam:

“Os golpistas se valem de dados obtidos em fontes abertas e também através de sistemas com senhas vazadas na internet. Com essas informações, identificam pessoas com processos em andamento e valores a receber. A partir disso, se passam pelos advogados dessas pessoas e fazem contato com as vítimas”, disse.

Segundo ele, os golpistas informavam falsamente que a ação judicial havia sido julgada procedente e que a vítima teria um valor a receber.

“Eles diziam que havia um imposto alto a ser pago, mas ofereciam uma certidão negativa que isentaria a vítima do imposto. Para isso, cobravam valores como R$ 2 mil, alegando que o imposto seria de R$ 25 mil”, informou o diretor.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) identificou o golpe ainda em 2023. Desde então, foram registrados quase mil relatos apenas no Rio Grande do Sul. Em todos os casos, os dados dos advogados foram utilizados de forma fraudulenta.

“O golpe atinge tanto a vítima direta, que perde recursos financeiros, como o advogado ou a advogada, que tem sua credibilidade colocada em xeque”, afirmou Leonardo Lamachia, presidente da OAB-RS. “Por isso a OAB tem atuado fortemente junto com a Polícia Civil no combate a esse tipo de crime”, comentou.

Operação da Polícia Civil nos estados do Ceará, Minas Gerais e Santa Catarina prendeu suspeitos de integrar quadrilha que aplicava os golpes por meio de aplicativos de mensagens — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

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