Entenda por que a polícia trata mulher desaparecida no RS como vítima de feminicídio

Entenda por que a polícia trata mulher desaparecida no RS como vítima de feminicídio

Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, passou a integrar a lista de feminicídios de 2026 no Rio Grande do Sul desde quarta-feira (25) e se tornou a 20ª vítima do ano. Ela está desaparecida desde 24 de janeiro, e a Polícia Civil tem evidências que indicam esse tipo de crime, de acordo com a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher de Porto Alegre, a delegada Waleska Alvarenga.

“Já temos elementos para indiciá-lo, com certeza. Não podemos dizer agora que o inquérito será concluído, porque […] o Ministério Público precisa ter subsídios para propor uma ação penal, para que isso vire um processo judicial”, explica o delegado responsável pelo caso, Anderson Spier.

Pelo tempo que passou — a família desapareceu há mais de um mês — e pela falta de contato em tempos de facilidade de comunicação, a polícia praticamente descarta encontrar a família com vida, segundo apontam as investigações. Por isso, o caso de Silvana é tratado como feminicídio e, o dos pais, como duplo homicídio.

A polícia já ouviu mais de 30 pessoas e, segundo o delegado, Cristiano é o único suspeito. A relação dele com a Silvana é descrita como conturbada pelo delegado, principalmente por divergências sobre a criação do filho de ambos.

Celular de Silvana Germann de Aguiar foi encontrado pela Polícia Civil em um terreno baldio de Cachoeirinha (RS) — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Foi deste aparelho que foi feita uma ligação para os pais de Silvana, um dia depois do desaparecimento dela e no dia do desaparecimento de Isail e Dalmira.

A defesa de Cristiano afirma que ele é inocente e que as provas obtidas contra ele são circunstanciais. Nas duas vezes que foi chamado para depor, o suspeito permaneceu em silêncio.

Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar — Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil

Relembre o caso

Um mês do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS)

O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira:

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
    A reportagem procurou Jeverson Barcellos, advogado de Cristiano, e aguarda posicionamento.

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento.
    Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro:
    – 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois;
    – 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo):
    – Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada;
    – Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde;
    – Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos.
  • 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
  • 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
  • 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

“Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP”, explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.

Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação

Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha — Foto: Arte/g1

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