Família de brasileira que morreu na Índia busca ajuda para trazer corpo da jovem ao RS; parentes desconfiam das circunstâncias da morte

Família de brasileira que morreu na Índia busca ajuda para trazer corpo da jovem ao RS; parentes desconfiam das circunstâncias da morte

A jovem sofreu um acidente de carro no estado de Punjabi, na Índia no último domingo (23), segundo autoridades locais. Além disso, a família busca ajuda para trazer o corpo da jovem de volta ao Brasil.

A mãe de Katchucia, Rejane Terezinha Moesch, de 61 anos, conta que ainda não sabe como vai trazer o corpo da filha de volta a Novo Hamburgo, onde mora a família.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirma que “o translado dos restos mortais de brasileiros falecidos no exterior é decisão da família e não pode ser custeado com recursos públicos, à luz do § 1º do artigo 257 do decreto 9.199/2017″.

Por isso, a família está realizando uma campanha de translado com um custo estimado de R$150 mil.

“Nós queremos trazer o corpo para cá, para as crianças poderem quebrar esse ciclo, se despedirem oficialmente da mãe. Se eu conto pra eles hoje, daí eles vão ficar imaginando que a mamãe pode vir a qualquer momento, entendeu?”, explica a mulher.

A jovem era esteticista de profissão e tinha quatro filhos, com idades entre dois e 15 anos.

Família questiona acidente

Rejane explica também que a família questiona o acidente e acredita que a jovem possa ter sido vítima de um crime.

“Foi o assassinato seguido de um acidente, na minha opinião. Mas como é que eu vou provar isso hoje? Não tem como”, afirma a mãe da jovem.

Segundo informações das autoridades da região, Katchucia estaria em um carro junto com o marido, um indiano, e o motorista quando o veículo colidiu com um caminhão. Eles estavam a caminho do aeroporto onde Katchucia embarcaria para o Brasil. As outras duas pessoas não ficaram feridas no acidente.

“A gente achou muito estranho justo no momento que ela tava vindo embora e que ela dizia pra nós ‘quando eu chegar aí, eu vou procurar um bom advogado e eu tenho as provas de tudo que ele estava fazendo pra mim’, ela dizia”, afirma a irmã.

Katchucia relatava agressões

De acordo com Rejane, a filha viajou em setembro para conhecer pessoalmente o homem, com quem se relacionava virtualmente desde 2023. O plano era voltar em dezembro, mas a filha relatou que foi forçada a ficar.

Rejane afirma que a jovem relatava agressões e ameaças de morte caso não se casasse com o homem. Segundo a mãe, Katchucia se casou contra a vontade para que fosse liberada para voltar ao Brasil.

Em contato com a reportagem da RBS TV, o Itamaraty afirma que “está ciente do caso e permanece em contato com os familiares da brasileira, a quem presta assistência consular, e com as autoridades locais”. Leia manifestação completa abaixo.

Realização de sonho

Katchucia, que foi descrita por familiares como mulher sonhadora e mãe dedicada, foi para Índia realizar o sonho de conhecer o país.

“Era um sonho, como eu comentei, ele implantou na mente dela o casamento perfeito (…) Ela nunca acreditou na maldade das pessoas, sempre sofreu com isso, sempre foi muito coração”, finaliza.

Katchucia Drielle Moesch Flores tinha 29 anos — Foto: Arquivo Pessoal

Nota Ministério das Relações Exteriores

“Informa-se que a Embaixada do Brasil em Nova Délhi está ciente do caso e permanece em contato com os familiares da brasileira, a quem presta assistência consular, e com as autoridades locais. Informa-se que, em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, as Embaixadas e Consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com o governo local e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito, tão logo terminem os trâmites obrigatórios realizados pelas autoridades locais.

O traslado dos restos mortais de brasileiros falecidos no exterior é decisão da família e não pode ser custeado com recursos públicos, à luz do § 1º do artigo 257 do decreto 9.199/2017.

Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não fornece informações sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”

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