quarta-feira, junho 24, 2026
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Mulher trans vai disputar título de 1ª prenda regional

por admin
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Técnica de enfermagem Bruno Pradella Machado, 25 anos, do CTG Quero-Quero, é a primeira prenda adulta da entidade e uma das pioneiras na participação de mulheres trans em concursos oficiais de prendas do MTG.


  • Bruno Pradella Machado, de 25 anos, inicia no próximo fim de semana a disputa para tentar ser a primeira prenda trans do Rio Grande do Sul.

  • Ela ingressou no tradicionalismo na infância, mas se afastou aos 18 anos para a transição de gênero. Em 2025, obteve os documentos oficiais como mulher.

  • O patrão do CTG Quero-Quero, Marcelo Pagini, afirmou que a candidatura foi recebida com naturalidade. Ele destacou a importância de respeitar e acolher as pessoas.

Bruno Pradella Machado, 25 anos, do CTG Quero-Quero — Foto: Arquivo pessoal

A técnica de enfermagem Bruno Pradella Machado, 25 anos, do CTG Quero-Quero, de São Jerônimo, está prestes a escrever um capítulo inédito na história do tradicionalismo gaúcho.

No próximo fim de semana, durante o Concurso Regional de Prendas da 2ª Região Tradicionalista, em General Câmara, ela dará início à trajetória que poderá levá-la à disputa da faixa de 1ª Prenda do Rio Grande do Sul.

Estudante de radiologia, Bruno é a primeira prenda adulta da entidade e uma das pioneiras na participação de mulheres trans em concursos oficiais de prendas do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

“Meu contato com o mundo tradicionalista começou muito cedo. Minha mãe me levava para os eventos e o meu pai também sempre me incentivou. Minha família inteira é tradicionalista. Tenho um tio que foi patrão de CTG durante muitos anos, minha irmã dançava e eu também participei das invernadas desde criança”, relata.

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Ela integrou grupos de dança até 2019. Ao completar 18 anos, afastou-se das atividades tradicionalistas durante o processo de transição de gênero e para se dedicar à formação profissional.

“Acabei parando porque não me identificava mais como homem. Fiz a minha transição, concluí meu curso técnico de enfermagem e me afastei da vida tradicionalista por um período. Em 2025, saíram minhas documentações e passei a ser oficialmente registrada como mulher”, conta.

O retorno ao CTG aconteceu após uma conversa com a diretora cultural da entidade.

“Falei que tinha interesse em participar da próxima ciranda da casa. A diretora cultural conversou com o patrão do CTG e fui nomeada prenda. Desde então, sou a primeira prenda adulta da história do CTG Quero-Quero.”

O patrão do CTG Quero-Quero, Marcelo Pagini, afirma que a entidade recebeu a candidatura com naturalidade.

“Encaro isso de forma muito tranquila. Quando a Bruno foi aceita como prenda do CTG, houve um burburinho inicial. Algumas pessoas questionaram, principalmente as mais antigas, mas chamei todos para conversar e expliquei que precisamos respeitar as pessoas. Essa é uma questão dela, não nossa. Cabe a nós respeitar”, afirma.

O patrão também acredita que a participação da candidata ajuda a combater preconceitos ainda presentes na sociedade.

“Respeito cada um. Cada pessoa faz o que entende ser melhor para a sua vida. Não compete a mim julgar ninguém. Muitas vezes as pessoas exigem respeito, mas não respeitam o próximo. Isso é algo que precisamos mudar”, diz.

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